quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Um público tão grande de eleitores em potenciais

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Eu revesti esse desejo de uma forma cruel de aversão, minando cada vez mais a possibilidade de me misturar aos outros políticos, tinha gestos de gentileza, não comprava votos e não fazia alianças.
O meio era sujo, envolvia as pessoas que eu mais amava, minha família, tudo era especulação, mentira. Eu ficava cada dia mais pálida e magra, não parava notícias mentirosas e caluniosas que difamavam meus entes queridos.
Eu estava no extremo, cansada, com pressão familiar de um casamento quase desfeito, o marido insistia: “esse campo não é para as pessoas honestas”, um amor real no ápice da crise por ideologias de um mundo melhor e mais justo.
Só estou tentando ajudar o país, isso me parece importante. Não quero ser paparicada, incluir datas comemorativas, quero apenas dar dignidade as pessoas, construir uma imagem que o bem ainda é o melhor caminho.
Seria um consolo ter alguém ao meu lado lutando comigo, mas pelo visto tudo parece utopia, o amor pela causa social parece não ser de verdade, até os mais íntimos parecem não conhecer o que eu quero de verdade.
A minha vida não dava uma história bonita, nasci rica, sem competição, não fui órfã, minha infância não foi sórdida, desumana, tive todo cuidado e atenção, tive amor, não precisava “perder”. As influências do dinheiro sempre me ajudaram.
Eu não era um bom político, era generosa sem exigir nada em troca, tinha o homem dos meus sonhos, era limitada e cheia de virtudes trazidas da criação, por várias vezes externava o que sentia, sem me preocupar, ferindo os interesses partidários.
Sabia que apesar de todas as crises, sempre teríamos um ao outro, mesmo em um curto espaço de um ano tivemos brigas frequentes, nós jamais abandonaríamos o barco que nos comprometemos a navegar.
Cresci num contexto de muitas exigências, fui educada para entender as fragilidades do mundo, minha vida era uma gangorra entre alívio e desapontamentos como toda e qualquer vida.
Eu só queria mudar o mundo das pessoas, mas está tudo tão corrompido, tão desacreditado, não nojento que talvez a forma que eu possa mudar o mundo é mantendo relações justas, sinceras, incorruptíveis.
Arcise Câmara


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Quem eu sou? E quem escolho ser?

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Não dava valor ao que tinha, vivia comendo doces, era difícil ver o doce como algo tão danoso, às vezes o melhor modo de amar e ajudar uma pessoa é deixá-la em paz ou dar-lhe a chance de tentar ser do jeito que ela é.
E o que o doce e o amor têm em comum?
Às vezes se acredita que uma pessoa está realmente tentando ajudar outra, mas na verdade ela está apenas alimentando a vontade de comer doce sem se sentir culpada.
A dificuldade é que bondade, justiça e questões morais não são políticas, pagar mais barato pelas coisas era algo que envolvia riscos, pensar só em si destruía a Moralidade. Era preciso impor e promulgar uma lei “amem uns aos outros”.
Sou do tipo que falo de maneira automática e casual, a legislação não é simplesmente uma concordância a respeito do que é certo e errado, tem umas infinitude de mãos abanando, tentando inutilmente ter suas necessidades mais básicas atendidas.
As leis que proíbem assassinatos, fraudes, danos é mesmo um avanço, fico trêmula só em pensar que é preciso proibir coisas tão óbvias. Que tipo de glória é obtida quando ela é atingida à custa dos outros? Cheguei ao limite do nojo, como posso viver na dúvida ou sem compaixão?
Não desejo coisa alguma, tenho preferências, mas não necessidades. De vez em quando meu humor dita o clima, às vezes acho que o mundo não evoluiu e ainda opera com uma mentalidade primata, outras vezes desfaço-me de desculpas acerca das diferenças, dos sinais sadios de individualidade.
A gratidão suplantada pelo medo, mesmo quando eu lhe apresento uma opção, uma ideia, uma opinião, você não tem toda a vida para concordar ou discordar, tudo é um processo de recriação, hoje pode, amanhã não.
Eu me sinto inconveniente e culpada, uma nova pessoa por dentro e por fora, detesto a ideia de enterrar alguém, eu me reconciliei não só com quem eu era, mas com quem sou e com quem quero ser, desanimo com facilidade e preciso acreditar na própria capacidade de hora se de um jeito e poder mudar a qualquer momento.
Arcise Câmara


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O cheiro era companhia de amigos

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Sou especialista em decisões rápidas, essa impulsividade ainda me mata. Na minha família eu era vista com um ser inferior, alguém que não prestava para nada, parte disso era como eu me enxergava e outra parte era o reflexo desse pensamento nas atitudes.
Hoje estou péssima, estressada, sem concentração, buscando respostas, motivos ou a morte. Os músculos doem, a cabeça explode, eu nunca nem pensara em trabalhar, usava palavrões como se fossem vírgulas.
Recém -nascidos são pegajosos, ensanguentados, delicados, frágeis  e enrugados, pra mim? Não precisava! Não me sentia apta a transar por aí sem consequências, minha vida era tão merda para eu cortar o único alívio que eu tinha chamado li-ber-da-de.
As pessoas me observavam como se eu usasse drogas, ficavam buscando sinais nos olhos, na posição, no meu jeito de falar, na forma irresponsável como eu vivia. Nunca seria esquecida,  qualquer um falava de mim, até a pessoa que acabou de me conhecer, qualquer um tinha um conselho, ou dois, ou mil.
Parte de tudo isso era o ódio que eu sentia de mim mesma, caso contrário já teria tentado suicídio, aí sim cairia no esquecimento. Eu aguentava firme, tinha a certeza que eu deveria fazer o bem a mim e mudar essa interpretação maldita que até eu fazia ao meu respeito.
Continuei com minha conversas moles e piadinhas sem graça, porque eu sabia sobreviver num mundo de maldades, sempre tive a seguinte filosofia: as pessoas vão até onde a gente deixa e eu deixava e me vitimava por isso.
Algumas pessoas deixaram marcas negativas em mim, deixaram lembranças ruins que eu não consigo apagar, mas decidi pelo menos dessa vez ter consideração por mim mesma.
A família que eu tinha era a família que todo mundo gostaria de ter tido, recebiam na porta, eram receptíveis, amáveis, felizes, unidos e altruístas, trabalhadores e tementes a Deus e eu só consegui enxergar que minha vida era boa pra cacete quando as companhias dos verdadeiros amigos se aproximaram. Foi aí que eu percebi a diferença entre o que eu era e o que eu estava fazendo da minha existência.
Arcise Câmara


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

No dia do seu casamento

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Pense numa comédia romântica e deixe seu casório mais leve, mais água com açúcar, mais bobo. Ria pra caramba, chore de alegria e principalmente curta as emoções.
Se alguma coisa der errado, não há nada que você possa fazer, relaxa! Às vezes as falhas técnicas só você percebe, convidado nenhum nota, a não ser que seja atraso, coisa bem difícil de se acostumar  são atrasos que ultrapassam meia hora.
Evite convidar os insaciáveis por fofocas, observe: as situações chegam, nos escolhem, nos faz pensar, evite a insegurança, a festa não vai ser melhor ou pior que a de ninguém, a festa vai ser única, sua, exclusiva, do jeito que você pensou.
Não existe outro tempo além deste, não existe outro momento além deste, viva o presente eternamente, jogue os cabelos para trás, olhe nos olhos, sorria, curta a paquera, a cumplicidade com seu noivo, vocês vão lembrar desse dia para sempre.
O amado não apareceu na sua vida acidentalmente, não foi coincidência, esse ser humano tem o propósito de te fazer feliz, nada ocorre por acaso, a vida não é um produto da casualidade.
A maioria das pessoas define “errado” como o que é diferente delas, as coisas podem ser do seu jeito e pronto, você pode casar de preto ou de vermelho, pode casar descalça ou de roqueira, pode fazer seu evento exclusivo e do seu jeito.
Sabe como é, ao longo da história existiram muito casamentos, nenhum deles conseguiu mudar alguém, o mundo pode mudar, a pessoa pode se transformar, as coisas ao seu redor podem sofrer mutações, mas é tudo de dentro para fora, nem caia na história de que o outro vai ser o que você deseja.
Nem o amor, nem a essência de ninguém se inventa. Você só pode conhecer o frio se houver o quente, a parte de cima se houver a parte de baixo, não dá para desconsiderar aquele filho que a mãe disse sim para todas as suas vontades. Nossa infância e juventude refletem diretamente no comportamento e no resultado desejado ou não.
Acredite! O dia chegou! O dia do “claro que estou contigo”, o dia do “na boa”, “Vamos lá!”, o dia do “Tá legal”, “Sem problemas”, o dia da Decisão de Ser Feliz de Desejar ser Feliz e fazer tudo que puder para que isso aconteça e que esses propósitos sejam até que a morte nos separe.
Arcise Câmara


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Madrinha de Crisma da Ex-Cunhada

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Jamais será possível experimentar realmente aquilo que o outro sente, mas dá para experimentar aquilo que sentimos com as demonstrações de afeto do outro.
Desde quando ainda estava casada recebi o convite de ser Madrinha de Crisma, as exigências do “cargo” me faz refletir bastante como ser humano, como alguém que pode preencher áreas não preenchidas, como aconselhar no amor, no serviço à igreja, falar sobre o esqueleto da vida...
Quanto mais o tempo passava, mas a certeza de que eu seria a madrinha, o convite continuava de pé, mesmo a proximidade não sendo tão intensa. Confesso que tenho apego e sentimentos por muitas pessoas ligadas ao ex. Confesso que elas não se separaram de mim e nem eu delas.
A princípio achei o convite imaturo, sem necessidade, depois achei o convite inocente e puro, aquele vindo do fundo do coração. Eu aceito bem a minha realidade de divorciada, aceito bem a condição de que meu ex-maridex não quer me ver nem pintada de ouro. Não entendo a sua revolta, não fomos o casal mais civilizado do planeta, mas também não terminamos nos odiando. O ódio da parte dele veio depois, veio com o arrependimento que ele disse ter.
É por esse motivo que, quando a dimensão afetiva vem a faltar, a gente não sabe como agir. Por outro lado a minha proximidade com a ex-cunhada não me aproxima do ex. Ele não frequenta nenhum ambiente que eu esteja, não existe a experiência do contato. Por mim não teria problema porque no fundo o quero bem. Desejo felicidades, desejo até que ele seja tão feliz quanto eu.
O amor se espalhou como mágica, a relação é de tia e sobrinha, e eu me mantinha entre o amor e a mesquinhez porque de alguma forma me afetava o fato de que a minha presença o ausentasse.
Eu não apareço muito na galeria familiar, não sou tão próxima como gostaria, eu não sei se ao certo consigo lidar totalmente, mas percebi que falar que eu não podia ser Madrinha causaria uma grande mágoa e quase um crime. Foi sob esse prisma que eu aceitei.
Aprendi que precisamos valorizar, todos os dias, quem amamos e principalmente quem nos ama e tem admiração e respeito por nós.

Arcise Câmara

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Louca para descontar em alguém

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Ideias de controle, poder ou domínio, nada tem a ver com amor. Não se preocupe em não retribuir o sorriso, a melhor escolha nem sempre é a escolha que merece ser boa para outra pessoa.
Às vezes temos que nos colocar em primeiro lugar, desintegrar o passado, deixar de mencioná-lo. Se tudo que você faz é seguir as regras de outra pessoa, então não cresceu.
Meu maior orgulho foi conquistar o afeto do marido, necessitava de alguém, e esse é o modo mais rápido de acabar com um relacionamento, nunca fui essas Coca-Cola toda na cozinha e precisava de aprovação e isso ajudava o relacionamento a afundar mais rápido.
A maior dádiva que você pode conceder a alguém é a força e o poder para amar-te ou não. A separação gera indiferença, a falsa superioridade, a compaixão, é claro que tudo é relativo. Sabedoria é conhecimento aplicado. Qualquer um pode olhar para o passado e dizer: eu teria agido de modo diferente.
Fico meio sem jeito em viver sem harmonia, ser intolerante, magoar as pessoas e vê-las como desiguais, ser o sonho de consumo de alguém, preciso respeitar as outras pessoas e o caminho que elas estão seguindo.
A humanidade não evoluiu em seus instintos mais básicos, somos egoístas, percebemos que sorrimos como bobas quando nossos desejos são atendidos, compreendemos os conceitos básicos de uma sociedade civilizada, quando a aparência não tem a menor importância.
Os governos deveriam ser a consciência do povo. É através deles que o povo tenta mudança, mas ele vai me arrumar um emprego, emprego pro meu filho, ou me trazer algum benefício eu não estou nem aí para o coletivo. Fico arrasada com esse tipo de pensamento.
Algo terá que ser novo se vocês quiserem que o mundo mude. Encara tudo como se fosse uma questão pessoal, por favor, não pise nos meus calos, é melhor irmos logo com isso.
O mundo anda tão estranho, cada um pensando em si, cada um se preocupando mais consigo, em conservar os seus cargos do que nada ajuda a população, tudo que eu penso faz reflexo do que decido para mim mesma.
Arcise Câmara


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A amizade e admiração era unilateral

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Com que frequência vocês ligam para a amiga que só fala contigo se você for atrás?  O maior erro da gente é não dá importância a não reciprocidade, às vezes a gente nem percebe, outras a gente finge não perceber.
De algum jeito a gente vai acabar percebendo, quando estivermos na escuridão e a amiga nem souber, quanto a gente mente sobre si mesma achando que é a vida querendo nos afastar e que no fundo a amizade sempre esteve lá, nós é que somos carentes.
Uma boa amizade, longe do facebook não deixa de ser um alimento para a alma. Vocês já repararam quantas pessoas “perdem tempo” fazendo homenagens fúnebres? Quantos elogios em redes sociais? Quantas vezes só tivemos tempo de visitar aquela amiga quando ela já estava na uti?
Quando alguém morre, a gente deixa todas aquelas coisas negativas lá atrás e foca só no positivo e se acha melhor amiga mesmo que tenha sido a melhor amiga apenas na infância.
Queria hoje poder escancarar os sentimentos mais sublimes e expor a hipocrisia, queria hoje procurar a felicidade com muita força nos prazeres da vida, na amizade que não perde o sentido, na força do poder contar.
Nós precisamos aprender a sermos seres humanos, precisamos de uma relação de amor, de  nunca usar as mãos nem a língua para cobrar ou machucar. Estou falando de um troço chamado espontaneidade, estou falando mais fundo, amor espontâneo, aquele que eu não uso nenhuma força porque ele é quase palpável.
Não estava preparada para fazer isso, achava que o espírito patético  havia me absorvido, eu precisava me livrar daquilo que não me acrescentava, precisava estar rodeada de gente que levasse a amizade à sério.
Mas essa é uma realidade muito frágil, facilmente desgastada pelo tempo, que se eu não flexibilizasse, seria injusta. Na verdade, o êxito de um relacionamento não depende somente de um bom amigo, depende de um contexto mágico que faz ou não feliz o seu coração.
Duas pessoas não podem estar ligadas pelo acaso e sim ligadas pela proximidade de quererem estar perto, serem simpáticas, sorridentes, amigas, pau para toda obra, precisamos preencher o peito com a força da reciprocidade.
Arcise Câmara


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja...

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Ô sentimento chato esse da inveja, parece que você não merece ser feliz, ser do bem, ser você mesma, parece que o mundo melhor só foi feito pros outros e que felicidade não pode bater na sua porta.
Afinal das contas, por que não mereço ser plenamente feliz aos olhos dos outros? Queria conversar um pouco mais sobre isso, o poder do não poder. Não é nada poético ou literário achar que você tem o poder de mandar e julgar a felicidade alheia.
Não dá para compartilhar sonhos, não dá para receber elogios, não dá para sermos bem-tratadas, somos da geração que não merecemos ser felizes, isso é tão visível, os e-mails pipocam quando os que se julgam superiores descobrem.   
Toda semana, eu recebo indiretas de que a vida foi boa demais para mim, que meu processo profissional foi rápido e bem sucedido,  que eu deveria dar mais exemplo, ser mais agradecida, afinal eu me mantenho em pé nos tempos de crises.
Falam que para mim  não existe rotina e que minha vida é cheia de excessos, falam que eu não valorizo o  pouco que tenho, que eu sou altamente influenciável, que tive o casamento destruído e que eu vivo no mundo de coisas fáceis.
Passei a me entediar com quem fala demais da vida alheia, a saía cômoda e feliz é fugir da fofoca e evitar a cultura do instantâneo, das amizades velozes, da intimidade em poucos passos. As palavras sempre me afetaram, o subjugar de alguém que me acha irresistível me amedronta.
Não é fácil quebrar a artificialidade, as verdades contraditórias que você não acredita, as pessoas estão acostumadas a falar mal, rotular, criticar e pensar que as demais estão num nível bem inferior a elas,  e por conta disso escondemos as nossas feridas e posamos de feliz “all the time”.
Por outro lado, vivemos lutando para salvar as aparências. Quantas vezes engolimos choro, camuflamos o coração ferido, enganamos o ego machucado, acreditamos nos falsos elogios. Acho que no fundo, no fundo ninguém sabe lidar com a inveja. Não sabemos se aparentamos o que somos e deixamos a inveja crescer ou se nos depreciamos e vemos no que dá.
Arcise Câmara


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Manaus, Um Viva pelos teu 348 Anos!

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Absolutamente Manaus, controle da minha história, amor saudável, honestidade de seu povo, olhares festivos, conexão e mistérios, alegria do meu coração, terra de mulheres guerreiras.
Sabedoria, vida, sentimento atarracado, expressões próprias, direito de amar, Manaus de dias importantes, de notícias felizes, de doces pensamentos, aqui não se perde tempo, a cidade nos pertence.
Manaus de bagunças saudáveis, de praças arrumadas, de espaços limpos, de sentimento positivos, de trilhos históricos, de diários de civilizações. Manaus que amo conhecer alguém profundamente.
Manaus viva, sensação de bem-querer, desejo de conecta-se as águas do rio, justificativas felizes, desculpas de belas paisagens, estilhaçadora de almas humanas, cidade do emprego fácil.
Manaus de muitas emoções num dia só, do conforto do pôr do sol, dos mistérios do boto tucuxi, das diferenças climáticas, do sono ao meio dia, da certeza das amizades, das mulheres belas.
Sentimento que não cabe, minha análise positiva, vim te agradecer, assumo que sou louca de sentimento por ti, sucesso é tua sina, minha relação de orgulho por ti, dos momentos vividos, das histórias para contar.
Fico confusa ao te homenagear, parece que nada é suficiente, felicidade sempre experimento, sou criada, nascida e banhada nessa imensidão de rio. Minha infância não tinha muros.
Cresci na parceria de tuas conquistas, continuo orgulhosa de ti, encontro gratidão por ser da terra, as energias revigoram o meu ser, estando longe não sou a mesma, as escolhas são de retorno a ti.
Não tem explicação, 348 sem explicações, apenas o milagre de pertencer a essa terra magnífica, aprendendo as técnicas da natureza, vencendo a ansiedade com açaí ou buriti, vindo à tona alguns de meus anseios mais profundos de felicidades do teu povo.
Arcise Câmara

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Nós bebemos demais

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Ficamos risonhos, reduzimos nossos bens, falamos demais, teríamos tudo para estar tristes, mas estamos na mesa de bar preenchendo vazios. Nem sempre aprendemos a viver, difícil examinar a própria vida.
Conquistar o espaço é trabalhoso, precisamos ser fortes, melhorar, evoluir, aprender a não ter pressa num mundo tão rápido e cheios de informações. A gente busca dois empregos, nem passa tanto tempo com as pessoas que amamos, a gente cura dor e o vazio na mesa de bar.
Valorize a si mesmo e quem está ao seu lado, não tenha medo de enfrentar o mundo de frente, não busque o inadequado, o excesso, o exagerado, quem é você que se afunda em vícios querendo chamar atenção. Deixe sua luz brilhar. Construa tudo que for capaz.
Não incida sobre si mesmo cobranças que não são suas, não se odeie, não se revolte, a carga de adrenalina é grande, mas não é salutar, não se exija ser o que os outros são, para que?
Se afaste de “amigos” que sustentam os seus vícios, não se sinta sortudo por isso, esse preço a pagar é muito alto, vamos lá batalhar para conseguir o pão de cada dia, somos seres humanos complexos, um quebra cabeça em construção.
A gente bebe para se recolocar no mercado de trabalho, a gente bebe porque reprova nossas próprias atitudes e se culpa, a gente bebe para eliminar tristeza, a gente bebe porque estamos com muita preocupação.
Quando o vício já faz parte de nós, a gente se sente solitários, extremamente ansiosos, com falsas expectativas de que será fácil e sem estresse. Cuidado! A gente aprende muito durante o processo, mas é preciso se policiar.
O divisor de águas é aquele momento em que você toma uma decisão que vai mudar sua vida dali pra frente, mas acontece que a maioria das pessoas tem medo do novo e prefere ficar na comodidade do que é familiar, lute contra isso, lute para ser você mesmo: FELIZ.
Arcise Câmara


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

No frigir dos ovos, eu sobrevivi

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Estava doida que o domingo terminasse para que eu pudesse desmoronar. Eu nunca tive um pai e não era da turma dos privilegiados. Quando comecei a estudar aos 10 anos eu tinha muita dificuldade, me sentia burra e lenta.
A minha única aposta de um avida melhor seria meter a cara nos livros, assim como diziam rapadura é doce, mas não é mole, assim eu senti que era a vida. O mais estranho era eu não me sentir criança aos 10 anos. Eu não me sentia uma mulher, mas tinha tantas responsabilidades que me sentia adulta no meu mundo infantil.
Eu não tinha para quem chorar as pitangas, eu não tinha dinheiro e nem a minha família que consistia na minha mãe e vários irmãos. O meu estômago às vezes doía, a gente era acostumado com pouca comida.
A vida era simples, mas minha mãe era categórica: nada de roubar. Não tínhamos nada, mas não precisávamos de nada que não fosse verdadeiramente nosso. A vida era azeda, não é porque era pobre que eu não tinha aqueles sonhos “luxuosos” de ter a boneca do comercial.
Dinheiro só tinha sentido com honestidade mamãe repetia, acho que ela tinha medo da gente ter aquela personalidade de conseguir o que quer a qualquer custo. Nunca fomos com sede ao pote.
Por mais pobres que nós fôssemos ainda ajudávamos os necessitados, mais necessitados que nós. Sempre tínhamos uma xícara de açúcar para doar,  ou compartilhar o peixe dado por aquele político em véspera de eleição.
Lembro da vida com muita alegria, era dureza, mas a gente se divertia com latas no chão, com o pé de jaca, com as buzinas e sons, a gente se divertia com a imaginação, com a ideia de viajar de avião...
A razão da minha existência nunca foi o dinheiro, a gente não era tudo farinha do mesmo saco, a gente comia mais com os olhos do que com a boca, a gente era feliz amando.
Por outro lado, tinha o lado triste e de humilhações. Mamãe sofreu para nos ter, os hospitais a recusavam. Mamãe já ficou em corredor de hospital, sem dinheiro para comprar remédios, mamãe já foi acusada de furto, coisas que deixavam a gente bem triste.
Eu amava refresco, nem consigo descrever a sensação que tive quando tomei suco delicioso pela primeira vez, era uma situação inusitada, parecia que eu nunca  tinha tomado algo tão gostoso e de fato nunca mesmo.
Às vezes dava vontade de largar tudo e ir embora sem rumo, mas eu sempre conseguia me recompor e assim a alegria voltava, os sonhos ficavam mais atraentes, a vida parecia normal e eu internalizava que eu não podia desistir. Desistir não era uma opção. E foi assim que foquei nas conquistas que o estudo poderia me proporcionar e descobri o significado forte das palavras lutar e conseguir.
Arcise Câmara


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Não gostei de nenhum homem que me bateu a porta ultimamente

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Não sou de me empolgar fácil, já mudei radicalmente de vida, incluindo perdas, já tive oportunidade de ir embora e fiquei, já me separei de quem amava com menos de trinta anos. Já fiquei desmotivada para o amor.
Deixei de mencionar frequentemente os nomes dos ex, eles fazem parte da minha vida, de um momento feliz, de modo explícito posso dizer que deu certo, cedo ou tarde a rotina diária e o amor diminuído ia acabar.
Encaro a vida amorosa como encaro um novo emprego, não vou para a guerra, também não tenho muitas inspirações para deixar as coisas mágicas, sou do menos é mais, sou do que é pra ser, será.
Quando vejo as notícias sensacionalistas e o tanto de morte em nome do amor e do ciúmes fico angustiada, não dou corda para ciúmes bestas e nem acho fofinho, bonitinho ou prova de amor.
Sou de compromissos, de aprender sobre o dia a dia, de acordar de manhã sem pressa, de ter um cachorro de estimação, sou que o tipo de pessoa que não me estresso por atraso.
Gosto de ir sempre pelo mesmo caminho, gosto de colocar a foto do amado na carteira, gosto de abraçar a todos, amo coisas baratas e vivo a vida com muitas experiências e coisas boas para contar.
Quando falo abertamente do carinho que sinto pelas relações que já passaram, ninguém entende, mas eu acredito que eles são melhores depois de mim e eu sou melhor depois deles.
Com o tempo o melhor virá, a gente começa a se afastar de pessoas ilógicas, a gente perdoa com mais facilidade, a gente curte ser gentil e não olha para o problema de ninguém.

Com o tempo nos afastamos dos falsos amigos, vencemos nossas batalhas pessoais, somos mais honestos e francos conosco, com o tempo podemos ser mais bondosos ou mais intolerantes, com o tempo construímos muros de tudo que não queremos, talvez por isso essa exigência. 
Arcise Câmara


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Não era a melhor funcionária

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Apesar de tudo, se esforçava para fazer tudo direitinho, era uma funcionária decidida, gostava de falar e agir, se importava com as clientes, tinha formação e informação.
Ela agia com os desejos de seus clientes, mas o seu lado pessoal sentia pena de si mesma, nunca perdoava uma ofensa de uma hora para outra, não se achava inteligente, na verdade queria ser advogada.
Impossibilitada de amar qualquer pessoa, ela caminhava sozinha pela vida, tinha vários momentos importantes e a família era seu mundinho feliz. Os tempos mudam, mas seus sentimentos fortalecem.
Os conceitos são outros, os exemplos ainda valem, a qualidade de vida está em alta, mas ela continua no tripé aprendizagem, poesia e fé. O caminho para o sucesso ela não sabe dizer qual é.
Nunca se casara, tinha defeitos de querer que os outros agissem como ela agiria, reconhecia a vida valia a pena ser vivida plenamente, tinha medo dos próprios sentimentos.
Pedras no caminho? Muitas, mas jamais viverá ao acaso, jamais tomou analgésico para ficar nova em folha, nada de adaptar com tranquilizantes, o que movia seu mundo era está rodeada de pessoas certas.
Cheia de amigos, levando desaforos para casa, ensinando seu ego a acalmar, e odiadora de grupos de whatssap, no qual só trazia inimizades. Não acha que foi feita para um par.
 Decisões são para serem tomadas, não usa a desculpa de falta de parâmetro, odeia decisões unilaterais, reuniões sem resultados. Sua beleza não parecia artificial, nunca sua imagem repercutiu negativamente.
Ama a verdade, entrega os resultados de forma adequada, aprende por si só e possui o coração mais livre que eu conheço para tomar decisões, mesmo assim não era a melhor funcionária, lhe “faltava bajulação”.
Arcise Câmara


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Muitos casais continuam juntos porque não têm dinheiro para se separar ou se bancar sozinhos

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Todo mundo sabia da minha paixão, meus olhos e minhas atitudes gritavam o nome dele, eu sonhava em namorá-lo, em casar, em ter filhos no mínimo uns quatro, confesso, eu era bem fantasiosa mesmo.
No entanto, ele só se aproximou de mim para tirar uma casquinha, que mal tinha “comer” aquele menina de olhar apaixonado, acho que ele pensou que estivesse fazendo um favor.
E foi assim que eu engravidei, engravidei do primeiro filho aos 16 anos de idade, uma menina cheia de sonhos e agora com vergonha da própria “sorte”. O casamento foi acidental, eu era de uma família tradicional, a nata da sociedade paulistana, um aborto seria a opção mais perfeita, mas o medo do inferno e as convicções religiosas de uma vida concebida lá naquela transa sem muitos atrativos excluíram essa opção.
Depois que o moço descobriu a gravidez contada por mim aos prantos, ele começou a me ignorar, fingia que não notava minha presença e eu fiquei cada dia mais apaixonada e mais insinuante, não sei por que, mas achava que o gelo que ele me dava era para esconder um milhão de sentimentos verdadeiros.
O casamento beneficia menos as mulheres do que os homens. Isso é fato, mas eu não tinha idade para essas compreensões filosóficas, ele fingia que não sabia da gravidez, mesmo eu tendo contado, não perguntava pela criança, nem pelas sensações que eu sentia, não se importava com meus medos.
 Não inventei esse fato e não gosto de afirmá-lo, eu estava jogando um jogo de xadrez bem complicado, parecia eu competindo com a máquina. Além do mais, eu tinha um milhão de teorias, a de não me casar antes dos 35, a de ter uma vida econômica aceitável e um mínimo de conforto.
A felicidade estampada no meu rosto só voltou depois de longo nove meses, quando eu vi a carinha dela, eu me reconhecia, eu me encantava, eu não entendia de onde tinha brotado tanto Amor.
O casamento como foi? O casamento não foi, está sendo, depois disso tive mais um filho, fruto de descuido mesmo, ignorância bruta de que não vai acontecer de novo e se acontecer não há motivos para vergonha aliás você é casada de papel passada e sob as bênçãos de Deus.
Eu me encaixo atualmente no título desse texto, e também convicta que eu não movo uma palha para ter o sucesso amoroso e a vida plena que mereço.
Arcise Câmara