quinta-feira, 16 de maio de 2019

Eu mentia para mim mesma, achava que podia comemorar trinta anos de desilusões


Resultado de imagem para Eu mentia para mim mesma, achava que podia comemorar trinta anos de desilusões


Eu me apegava a fidelidade dele, nem sei se ao certo ele era fiel, mas nunca ninguém bateu a minha porta. Tentava expressar simpatia, sorria o máximo que podia, eu achava que se forçasse felicidade ela apareceria.
Comecei a conquistar a confiança das pessoas, vivia como a aluna que ensina seu mestre, gastava horas conversando pela internet, fazendo novas amizades. Eu distorcia qualquer relacionamento que me aparecia, qualquer um era o sonho.
Arrependo-me de ter lhe dado ouvidos aos outros, estava feliz iludida, ora cheia de convites, ora cheia de ordens. Desculpe pela tagarelice, mas sempre achei que falar era a solução para todos os nossos problemas.
Relaxei, elogiei a mim mesma, tinha que perceber o meu valor, o mais importante eu já tinha: coragem de ser eu mesma. Eu dizia baixinho: Tudo que não me mata, me fortalece. Eu repetia seis vezes ao dia “Você escolhe o estresse e o estresse escolhe a doença”.
Eu era a que brigava para disciplinar, não importava se era íntimo ou não. Tinha a ansiedade das coisas bem-feitas e tive que lhe dar com amizades partidas, mas os riscos sempre existiram, as pessoas tinham que aprender a me amar.
Gasto estritamente o necessário, parei de ser a gastona profissional, parei de consumir o que já possuía, nem tudo está resolvido porque curto viajar e isso requer bastante dinheiro.
Com o estresse fiquei uma pessoa doente, varri as convenções para debaixo do tapete, passei a me sentir constrangida com as mesmas roupas, os mesmos acessórios, as mesmas preocupações na mente.
Três pessoas me incentivaram a viver melhor, acho que elas representam bem aquelas pessoas que olham a alma dos outros sem tolice, sem achar que é frescura, mudando as suas vidas.
Passei um tempo discordando de todas as minhas escolhas conscientes. Muitas reflexões precisavam ser feitas, eu estava na crista da vida, com problemas no casamento, mas preferi não compartilhar. Fingia não ver e seguia minha vida adiante.
Arcise Câmara
Imagem: Raquel Apollonio

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Não existe regra que diga que precisa usar maquiagem


Resultado de imagem para Não existe regra que diga que precisa usar maquiagem

Cansei de perder minutinhos de sono, já tinha se tornado um hábito para mim acordar cedo para me maquiar, era sério e íntimo minha mania de entrar nos padrões impostos pela sociedade.
Algumas pessoas usam a estética para socializar e nem pensam em como isso se torna automático, parece que facilita a vida nesse mundo medicalizado, lipoaspirado, perfeito, sem rugas ou linhas de expressões.
Os sentidos humanos têm poderes que nem sempre é explicado pela lógica, a gente gosta de tudo que dá prazer, revive o que já estava apagado na memória, a gente vai se depreciando quando está de rosto limpo.
A gente não é só medo de não ser aceita, a gente não é um manual que copia tudo que passa na tv, a gente não precisa ser aceita o tempo todo, a gente pode transgredir certas regras.
Chega de autocomiseração, seja grata pelo que és, não abra mão de cumprir o seu propósito, não descarte as chances que a vida te dá de ser você mesma.  A gente poderia se preocupar mais com a essência do que com a aparência.
Ensinei um bom caminho para meus filhos, onde eles pudessem moldar sua personalidade, estou aprendendo a agradecer tudo que conquistei, também estou aprendendo a consertar as coisas.
Sou uma máquina de jogar coisa fora, não sou da cultura do instantâneo, não gosto de relativizar as coisas, não sou de evitar pessoas do meu convício pessoal, todo mundo é bem-vindo, com ou sem maquiagem, com ou sem humor. Aprendi que tem lições que precisam ser aprendidas e muitas dessas lições vêm da convivência.
Eu sou humana embora você não acredite, eu me magoo, mas não guardo nada de ruim dentro de mim, cansei de me envenenar e aprendi a ser serena. Junto com essa serenidade, me veio a opção de ser do jeito que me faz feliz.
Arcise Câmara

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Voz gentil e convidativa


Resultado de imagem para Voz gentil e convidativa

Eu o conheci quando tinha 20 anos e gostei de cara, ele era lindo, maravilhoso e eu gostava muito dele, ele fazia com que a minha vida parecesse mais estimulante, à época eu não tinha vida sexual e ele me respeitou.
Eu não tenho medo do mundo amoroso, só não me encanto com facilidade e não me cobro por isso, gosto da minha companhia e da vida que levo, não me importo em sair só, com meu pais ou amigos, sou de fácil adaptação. Sou feliz: solteira, casada, divorciada, com ou sem par.
Eu esperava, claro, que a gente voltasse a namorar, afinal ficamos muitos anos sem nos ver, e ele e eu estávamos disponíveis, além do mais nosso namoro foi rápido demais e eu estava naquela fase que não queria namorar.
Por outro lado, sempre pensei da seguinte forma, se houve algo no passado, então já passou. Depois dessa reflexão, no dia seguinte a vida seguiu como tinha que ser e com certeza não me culparia por não ter amado.
Uma cabeça saudável é fundamental para o nosso bem-estar e nossa qualidade de vida, é preciso se distanciar dos planos das aparências e das tensões, odiar se sentir tão fora de controle, emocionalmente e espiritualmente é suicídio amoroso.
Minha mãe me contou várias coisas sobre o amor, as lágrimas, a paciência, o saber que o outro é imperfeito, mas nunca me falou que a biologia do homem é isso ou aquilo, destrinchando comportamentos desrespeitosos como aceitáveis. Minha mãe nunca acreditou nisso, nem eu.
Sempre fui uma gananciosa amorosa, como amo minha própria companhia, tem que ser relacionamento de verdade, tem que ser mútuo, recíproco, tem que ser dar a vida um pelo outro, balança desigual não funciona.
Amor é para o que der e vier. Firmar compromisso é algo sério que precisa de muitas certezas, dentre elas sentir que estar viva, encantadora e adorável. Gente feliz reflete isso nas atitudes.
Quase aceitei o celibato como forma de vida, quase me entreguei a missão de sair pelo mundo ajudando os outros, vivendo práticas religiosas que muito me conectam ao divino.
Mas algumas coisas não me encaixavam nessa vocação, eu tenho desinibição no que diz respeito a nudez, não sou de números ou ordens, mas amo a conquista de fazer o melhor que eu puder sempre. O meu famoso selo de qualidade é deixar minha marca positiva no mundo.
Arcise Câmara
Imagem: aminoapps.com


quinta-feira, 25 de abril de 2019

Uma sequência de reações físicas e emocionais


Resultado de imagem para Uma sequência de reações físicas e emocionais

Ela só parecia se interessar pelo caso em si, estava focada em descobrir coisas sobre si mesmas, eu seria outra pessoa hoje se não tivesse me desgastado tanto com bobagens.
Por muito tempo achei que fosse o amor da minha vida, acreditei, mesmo que todos os sinais me levassem a desacreditar nisso, fiquei com uma excelente impressão de mim, ao finalmente perceber que não era amor.
Era precisava transformar os problemas em grande oportunidade e foi isso que fiz, passei a frequentar a academia, me uni aos amigos e a Deus, estava junto de quem realmente me queria feliz.
O olhar dos outros nos condiciona, às vezes me sentia linda, comendo na hora certa e tudo desmoronava com um olhar de crítica, a sensação é muito melhor quando consegues filtrar quem realmente quer o seu bem e quem só quer te botar para baixo.
O medicamento chamado perdão faz efeitos imediatos, é muito difícil mudar um comportamento totalmente aceito e encorajado, o perdão também é aceitação, evita desgaste e cabo de guerra.
Nunca me vi superando tantas coisas como nessa fase, uma série de rompimentos e reconciliações que só me faziam refletir e me levavam na direção que eu queria ir, não me importava com minha imagem social, era segura e livre.
Ferver de raiva era coisa do passado, só me preocupava comigo mesma, com minha saúde física e mental, parava um pouquinho por ali para refletir, mantinha a atitude e as aparências.
Eu tentava manter todo mundo feliz, como eu estava feliz, percebia os sinais de quem não estava bem a minha volta, desejava a chance de uma vida com justiça, nós nos pertencemos uns aos outros.
O trabalho é o amor feito visível entrega de verdade, o olhar atento, a maneira como reage e se comporta, os acontecimentos que não frustram, não importa se são bons ou ruins, apenas confiar que o aprendizado é o recomeço de um amor não complicado.
Arcise Câmara
 Imagem: ebc.com.br

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Ele sempre se sentia mal depois de gritar comigo e me machucar


Resultado de imagem para Ele sempre se sentia mal depois de gritar comigo e me machucar

Entrar em um relacionamento sem estar pronta mentalmente me fez acreditar em coisas inacreditáveis, como ser empurrada pelo namorado e ainda se sentir culpada e errada.
Permiti que ele me machucasse de forma que eu ainda não entendo, ele sentia prazer em me magoar, nada era bom, todo sentimento que sentia por ele ficou confuso.
Desenvolvi transtornos ansiosos, em certo sentido, minha mente estava mais sensível, custei a perceber esse “Amor é uma bosta”, poderia ser obsessão. Podemos tornar as coisas melhores eu dizia, cansada de estar sendo puxada para baixo.
Sinto uma necessidade imensa de me apaixonar de novo por outra pessoa, vivi dias destrutivos e por isso custei a querer me relacionar novamente, não sei se estou pronta para essa estratégia pessoal e flexível.
A gente aprende a não pensar no que poderia ter sido, eu vejo como aprendizado, até porque achava que jamais cairia nessa. No calor de uma discussão eu sempre ouvia que homem como ele nunca encontraria.
Agredir sem nenhuma educação pessoas que pensam diferentes era o seu perfil, ninguém prestava se não pensasse como ele, era bem imaturo para a sua idade, eu conseguia enxergar isso e talvez por essa justificativa, custei a perceber os abusos.
Ele conversava sem escutar o que realmente eu tinha a dizer, os hábitos dos momentos felizes atrapalham a percepção e você fica aguardando a sorte de nada de ruim te acontecer.
Aumentei minha autoestima quando alguém se encantou por mim, ele observando pasmado como passei a me cuidar mais, a sorrir mais, a parar de sofrer antecipadamente e até ser uma pessoa mais justa, com autoestima equilibrada até as tuas virtudes naturais e conquistadas se firmam.
Fiquei pensando em quantas vezes me senti vazia, com vontade de morrer ou muito brava com tudo, as consequências refletidas na minha vida era desastrosa, achei que nenhum homem do planeta seria capaz de fazer comigo o que ele fez e o pior disso é que eu via abusos e pensava: isso jamais vai acontecer comigo.
Nem sempre ter uma base sólida de amor e respeito por si mesmo te afasta de armadilhas, porque somos bondosas e acreditamos na evolução do ser humano, e no fim, achamos que foi só dessa vez, ele se arrependeu, ele vai mudar, tava de cabeça quente e eu o irritei.
Não importa as circunstâncias, tudo  que ele dizia e fazia era inaceitável.
Arcise Câmara
Imagem: drdoamor.com

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Cidade pequena as novidades se espalham depressa, principalmente as ruins


Resultado de imagem para Cidade pequena as novidades se espalham depressa, principalmente as ruins

Tentando conter o pesar que eu sentia pela mentira espalhada contra mim, não é fácil ser vítima de calúnia. A força de vontade sozinha não basta, como eu ia conter palavras já firmadas como “verdades”.
Com sorte de principiante, quem me conhece passou a me defender. Fui traída pelo computador e isso era assustador, foi destorcido meus vídeos e minhas mensagens, parecia que eu me entreguei para ele de todas as formas, mas não foi.
Acho que namorei com o homem errado e nunca pensei que me separar me traria tantos prejuízos. Entre todos os homens do mundo escolhi o mais perfeito, achava eu.
Não achava que ajudar os outros merecesse ser tratado como algo especial, também nunca banquei a vítima, depois do disse-me-disse um mês que pareceu um ano, eu só queria que o tempo passasse e as pessoas esquecessem.
Não sei se foi a raiva, o nervosismo, a vergonha, só sei que logo após o episódio descobriram em mim a leucemia, o  mundo não estava desabando, aceitei de uma forma pouco convencional, não questionei, apenas resolvi me cuidar e viver bem o momento presente.
Quando a gente fica doente, parece que tudo faz sentido, foi melhor ter terminado mesmo, foi melhor encarar todos os fatos que se apresentavam de frente, eu me tornei mais otimista.
Eu me achava com excelente capacidade intelectual, lúcida, coerente, eloquente, eu não entendia a inutilidade e a insistência da doença num corpo tão cheio de vida.  Já tive paranoia do consumismo, querer comprar qualquer coisinha todo mês, mesmo que não tivesse necessidade.
Mesmo doente eu me sentia invencível, ei tinha um poder interno inexplicável, eu achava que sabia lidar com a doença e com as fofocas sem precisar da ajuda dos outros, eu sei que fui egoísta.
Das lições que aprendi: É no presente que está a felicidade. É preciso compreender e aceitar essas particularidades, Eu crio a energia que quero, boa ou ruim em qualquer situação.
Arcise Câmara


quinta-feira, 4 de abril de 2019

Birra é uma arma poderosa para pais que não se impõem


Resultado de imagem para Birra é uma arma poderosa para pais que não se impõem

Sempre me presenteava generosamente, mas prestando mais atenção no amor. Já fiz meus pais passarem por poucas e boas.  Já pedi perdão pelas birras e falta de consideração, a minha sorte é que eles têm a mente aberta.
Qualquer que seja a opção da vida do filho ela precisa ser respeitada, mas isso não significa que os pais não devem ter controle. Como dizia a minha mãe: Criança não tem que querer.
Tem pais que passam tempo demais concentrados em si mesmos, preferem que o celular cuide de seus filhos, outros não pensam em educação alimentar e uma vida mais ativa, com prática regular de atividade física.
Perdoa se isso soa arrogante, não tenho filhos, mas a geração de hoje está cada dia mais intolerante e frágil. Faltam fidelidade e compromisso no cuidado com os filhos. Eles merecem.
Tem um provérbio que diz: Quando dais vós próprios é quando realmente dais. Acho que poderia ser lição para tudo, além das gentilezas mútuas e a distância entre as coisas e nós como pessoas.
Pensando no “e se” não leva ninguém para frente, nem pais, nem filhos, recomeçar é o caminho, desenterrar a autoestima, amar sempre. Um drinque ao nosso futuro feliz!
O poder da relação ficou o tempo todo na mão dos pais, com imposições e sem diálogos por isso as gerações possuem feridas mal cicatrizadas, rebeldias para fazer o que quiser na fase adulta e o preço da falsa liberdade.
Presencio força oculta e juventude parada, o ser humano não continua o mesmo, vejo sorriso doido dos que sofrem a tempo, o tempo correndo a conta- gotas, alunos bons, inteligentes, espertos, bonitos e egoístas.
Decidi comprar um diário porque tem coisas que a gente não pode dizer em voz alta, escrevi sobre dias de chuva, tédio eufórico, falsas ilusões e refleti: Que diabos estou fazendo com a minha vida.
A verdade é neutra e não tendenciosa, fico obcecada pelos meus questionamentos, de vez em quando me belisco, outras vezes me acordo, acredito que para os pais a alegria é a recompensa do dar e ver suas criar felizes.
Arcise Câmara


quinta-feira, 28 de março de 2019

A responsabilidade por uma vida saudável é nossa


Resultado de imagem para A responsabilidade por uma vida saudável é nossa

Estou me encorajando a desenvolver meus projetos de uma vida mais saudável, à medida que vou ficando velha, o desespero por comida danificou meu nível de exigência, como qualquer coisa que me engorde, até coisas não gostosas.
Nunca me deixei perturbar pelas provocações, nunca me senti ofendida por estar acima do peso, nem mesmo com as vendedoras que diziam, não tem seu número. Eu sempre achava que quem perdia era a loja de não me ver como cliente.
Relações pautadas na verdade e no respeito à diferença sempre foi o mundo do qual quero pertencer. Meu rosto estava conformado, meu corpo dava sinais de excessos.
Dificultava o processo da busca pelo sentido da vida, estando tão desalinhada e desequilibrada de nutrientes, enchia meu corpo com coisas que não faziam bem nem para o corpo, muito menos para a alma.
Existem outros caminhos para atingirmos a paz interior, o equilíbrio, o desenvolvimento da nossa espiritualidade, a consciência do que nos faz bem, já li aos montes que o bom senso é à base de tudo.
Sou contrária às verdades absolutas, a excluir itens, a tornar a vida chata e sem graça, comendo coisas que não nos faz felizes, sou a favor da possível compreensão e do que podemos realizar com a mudança de mentalidade.
O que me deixava doida de um jeito estável era achar que minhas atitudes não trariam consequências para minha saúde, precisava dar um voto de confiança a mim mesma.
Embora eu saiba que a comida está apenas querendo me provocar, querendo me dizer quem é que manda, descobri que eu tenho todo o poder sobre meus sentimentos.
Eu preferia que a obesidade não fizesse parte da minha família, eu preferia ser mais dócil e menos arrependida, eu preferia esquecer algumas pessoas, eu preferia ser a fofa de carteirinha, capaz de levantar uma alma triste. Comer com equilíbrio tem a ver com A-cei-ta-ção.
Não consigo me conformar com a perda desses anos sem me amar de verdade, sem cuidar do meu corpo da forma como ele merece. Agora me sinto responsável.
Arcise Câmara


quinta-feira, 21 de março de 2019

Uma beleza interior que nos faz repensar


Resultado de imagem para Uma beleza interior que nos faz repensar

Eu estava tranquila, mesmo que meu medo já tivesse diminuído àquela altura, eu ainda tinha muito medo de avião. Disse que o hábito não passa de uma longa prática e assim consegui domar meus medos.
A melhor solução era entender que a única coisa a ser feita seria ter consciência de minhas atitudes diante do medo. Lembrei-me de nunca me tornar uma pessoa paralisada por meus receios.
A vida moderna nos leva a comer rápido demais, sem mastigar direito e sem saborear a comida, no entanto, eu comia com prazer minhas refeições saudáveis e deliciosas.
O amor basta-se a si mesmo, eu dizia a mim mesma, parafraseado grandes sábios, o meu relacionamento comigo mesma era evolutivo, poucas pessoas têm comportamentos tão equilibrados.
Diante dele eu precisava fazer alguma coisa por mim própria para me sentir bem, precisava de avaliação e reflexão, precisava descobrir quem eu era de verdade, precisava pensar no belo e no sentido da vida.
Eu não conto tudo que sofro, sou o oposto de equilíbrio, combino minha vida em altos e baixos, tenho desinteresse sexual passageiro, sou controladora e estou descontente com o rumo da minha vida.
Aprendi a arte de planejar, o futuro daria conta, um passo de cada vez e eu mudaria. Comecei a por cada coisa em seu lugar, desordem no ambiente, desordem na mente.
Ia ser uma tarefa bem mais complicada do que eu achava, a primeira mudança foi cortar o cabelo Chanel curto e desgrenhado, a segunda mudança foi aprender que eu não precisava mendigar atenção, sufocar o parceiro, me desvalorizar, mas minhas emoções me induziam a isso. O problema era eu.
A amizade entre mim e ele não era igualitária, eu o sugava, mas ele agia com desprendimento e leveza, muitas vezes eu sentava sem pensar em nada, eu amava perder tempo olhando para a imensidão do céu.
Eu fazia meu corpo e minha mente refletirem, tinha atalho para o caminho mais curto que saciava meus anseios. Fechei os olhos, relaxei os músculos, tranquilizei a respiração e agradeci por grande aprendizado.
Arcise Câmara
Imagem:blzinterior


quinta-feira, 14 de março de 2019

Se você quer um tiquinho de felicidade... leia!


Resultado de imagem para Se você quer um tiquinho de felicidade... leia!

A leitura nos ensina a não ficar tão zangados, te apresenta o grande amor da sua vida, investe toda a tua energia em algo que faz pensar. Nunca desista! É cada dia mais apaixonante!
Numa sociedade tão complexa quanto a nossa, onde poucos gostam de ler, poucos saem de sua zona de conforto, por pura acomodação. Consola-me saber que agrado alguns.
Aprendo com a pratica e restrinjo os erros. Gosto de ler sobre tudo: mal hábito alimentar e a falta de atividade física estão na minha lista de conscientização, as maldades do capitalismo estão na minha  luta para salvar o meio ambiente.
Escrevo para encher o mundo de esperança, escrevo para reatar a dignidade, para falar de amor, escrevo para compartilhar que não me sinto sozinha nem como última possibilidade.
Meus escritos são regrados pela sinceridade, não há nada que roube a minha personalidade ou me deixe sem controle, falo de rompimentos e reconciliações, falo de apoio e confiança, falo do mundo real.
Também conto daquela areia fria que decidi deitar, das coisas que já fiz por migalhas de atenção, da psicoterapia por anos a fio para amenizar o peso do passado.
Escrever e Ler são as melhores coisas que eu conheço. Eu acabo interferindo de forma positiva na vida das pessoas, talvez por um único momento do dia. Que rufem os tambores dum dum dum dum, lá vem o Livro, o despertar, o amor em prosa.
Quantos de nós já tatuamos textos budistas nas costas tirados de livros, quantos de nós nos sentimos sufocados pela intimidade, quantos de nós tivemos brigas insustentáveis e de repente fomos irrigadas de sabedoria por um bom conselho vindo de bons livros.
Ler livros é não ter medo da verdade, nunca desencoraje ninguém a ler, a leitura é uma coisa tão barata, às vezes nem precisamos comprar, outras vezes é mais barato que veneno de rato.

Se desprenda, perca o fôlego, vá ser feliz depois me conta a história ou estória que te encantou. Combinado?
Arcise Câmara
Imagem: Ericanópolis


quinta-feira, 7 de março de 2019

Se vives juntos não grudeis em demasia


Resultado de imagem para Se vives juntos não grudar em demasia

Todos nós somos muito diferentes, precisamos de espaço, estar grudado o tempo todo, sem deixar o outro respirar é uma situação ruim e o preço a pagar é muito alto. Não estou nem um pouco a fim de falar de regras e tal, nem quero passar a impressão que há pingos em todos os is.
Quando se termina um namoro grudento as chances de dar certo são mínimas mesmo que haja uma volta, esse estilo de vida faz afastar os amigos, os dias demoram a passar com pouco entrosamento com o mundo ao redor.
O sentimento de alívio é enorme, a impressão que se tem é que a pessoa não sabe fazer nada separado, fica perdida, aumenta os riscos de voltar com o velho relacionamento.
Diante dos meus conselhos inaudíveis, resolvi falar da minha necessidade de transplante, eu me recusava a pensar que a morte chegaria antes da chance de ter um novo rim.
Nesse processo todo, existem os que ajudam e os que não ajudam, vamos chama-los de curiosos. A regra do momento é focar na vida, no alívio que a medicação traz, reduzir a pó o sofrimento contido na memória.
Minhas necessidades mínimas não eram satisfeitas pelo Estado, ganhar um órgão de alguém que já morreu não era prioridade para as famílias. Eu não tinha medo de encarar os fatos ruins da própria vida.
Com base na minha experiência é que percebo que as colunas erguem-se separadamente, uma coisa de cada vez, um problema de cada vez e nas histórias de amor também é assim.
Quando não se é um ser único, começa o problema, sei que são percepções de uma pessoa próxima da morte, não estou desembuchando um sermão, só que depois de tantos desmaios tenho algumas convicções absolutas: O caminho a seguir é só seu.
Tem espaço para momentos importantes da sua vida, tem espaço para viver bem o momento presente, tem espaço para fazer dar certo. É justo tudo que me beneficia? Não. É justo tudo que me prejudica? Também não.
Eu me perguntava se devia me despedir da vida, era por isso que pregava o desapego das relações, não achava saudável esses grudes sem sentidos, assim como não queria cancelar minha vida em plena juventude.
Arcise Câmara
Imagem: clube de mulher


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Quando as coisas existem, dê boas razões para existir


Resultado de imagem para Quando as coisas existem, dê boas razões para existir

Eu estava à procura do silêncio, depois de ganhar olheiras por falta de sono, resultado de um longo prazo sem dormir, cujo nenhum sentimento prevalecia o bom senso.
Sei que eu não podia extravasar meus descontentamentos toda hora, sei que era um problema que eu tinha que resolver e que ia passar, sei que os beijinhos da minha mãe me ajudaram nesse processo.
Guardei minhas forças para investir no que realmente vale a pena, não quero ser a chorona, a reclamona, a que só conta desgraças, não quero parar nos obstáculos ruins nem para o amor da minha vida.
Tenho um sentimento raro em não querer dividir preocupações, eu já fui o tipo de pessoa que briga por absolutamente tudo, carregando revoltas, mágoas, ressentimentos e até pitadas de ódio na mochila.
A vida também não é só viagens e festas, é uma caixa de pandora que muitas vezes sei abrir, mas não sei fechar. Às vezes é só pegá-la para me sentir zangada e cheia de exigências.
Eu não pertenço a este lugar é algo que sempre me vem à cabeça, tenho amigos dos quais não se percebe afeto verdadeiro, parece uma corrida de quem pode mais, sinto vontade de me isolar.
Amo atos do coração, fazer tudo que a consciência pedir, mudar de ideia se precisar, afinal, o segredo da felicidade não está nas coisas materiais, nem no sentimento de indignação de querer mudar o mundo, mudei o meu mundo.
Li e reli atentamente cada despertar da consciência, poderia ajudar a tia com hipertensão, a vizinha com diabetes e o tio com artrite, poderia parar de ser tímida e reprimida, poderia alinhar meus pensamentos para que a minha mente não sujasse com tanta frequência.
Muitas coisas permanecem inexpressivas no meus coração, não mudei da água pro vinho, não tem como ser livre de todos os vícios como num passe de mágica, é aos poucos que a gente vai se livrando das coisas constrangedoras ou inaceitáveis.
Parece piada se sentir vazia quando esqueço o celular em casa, eu não conseguia enxergar como estava sendo ridícula, colocando toda a alegria de um dia num aparelhinho.
Quero ter o controle do meu destino e fazer valer cada minuto que passei aqui.
Arcise Câmara
Imagem: Márcia Luz