quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Nós bebemos demais

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Ficamos risonhos, reduzimos nossos bens, falamos demais, teríamos tudo para estar tristes, mas estamos na mesa de bar preenchendo vazios. Nem sempre aprendemos a viver, difícil examinar a própria vida.
Conquistar o espaço é trabalhoso, precisamos ser fortes, melhorar, evoluir, aprender a não ter pressa num mundo tão rápido e cheios de informações. A gente busca dois empregos, nem passa tanto tempo com as pessoas que amamos, a gente cura dor e o vazio na mesa de bar.
Valorize a si mesmo e quem está ao seu lado, não tenha medo de enfrentar o mundo de frente, não busque o inadequado, o excesso, o exagerado, quem é você que se afunda em vícios querendo chamar atenção. Deixe sua luz brilhar. Construa tudo que for capaz.
Não incida sobre si mesmo cobranças que não são suas, não se odeie, não se revolte, a carga de adrenalina é grande, mas não é salutar, não se exija ser o que os outros são, para que?
Se afaste de “amigos” que sustentam os seus vícios, não se sinta sortudo por isso, esse preço a pagar é muito alto, vamos lá batalhar para conseguir o pão de cada dia, somos seres humanos complexos, um quebra cabeça em construção.
A gente bebe para se recolocar no mercado de trabalho, a gente bebe porque reprova nossas próprias atitudes e se culpa, a gente bebe para eliminar tristeza, a gente bebe porque estamos com muita preocupação.
Quando o vício já faz parte de nós, a gente se sente solitários, extremamente ansiosos, com falsas expectativas de que será fácil e sem estresse. Cuidado! A gente aprende muito durante o processo, mas é preciso se policiar.
O divisor de águas é aquele momento em que você toma uma decisão que vai mudar sua vida dali pra frente, mas acontece que a maioria das pessoas tem medo do novo e prefere ficar na comodidade do que é familiar, lute contra isso, lute para ser você mesmo: FELIZ.
Arcise Câmara


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

No frigir dos ovos, eu sobrevivi

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Estava doida que o domingo terminasse para que eu pudesse desmoronar. Eu nunca tive um pai e não era da turma dos privilegiados. Quando comecei a estudar aos 10 anos eu tinha muita dificuldade, me sentia burra e lenta.
A minha única aposta de um avida melhor seria meter a cara nos livros, assim como diziam rapadura é doce, mas não é mole, assim eu senti que era a vida. O mais estranho era eu não me sentir criança aos 10 anos. Eu não me sentia uma mulher, mas tinha tantas responsabilidades que me sentia adulta no meu mundo infantil.
Eu não tinha para quem chorar as pitangas, eu não tinha dinheiro e nem a minha família que consistia na minha mãe e vários irmãos. O meu estômago às vezes doía, a gente era acostumado com pouca comida.
A vida era simples, mas minha mãe era categórica: nada de roubar. Não tínhamos nada, mas não precisávamos de nada que não fosse verdadeiramente nosso. A vida era azeda, não é porque era pobre que eu não tinha aqueles sonhos “luxuosos” de ter a boneca do comercial.
Dinheiro só tinha sentido com honestidade mamãe repetia, acho que ela tinha medo da gente ter aquela personalidade de conseguir o que quer a qualquer custo. Nunca fomos com sede ao pote.
Por mais pobres que nós fôssemos ainda ajudávamos os necessitados, mais necessitados que nós. Sempre tínhamos uma xícara de açúcar para doar,  ou compartilhar o peixe dado por aquele político em véspera de eleição.
Lembro da vida com muita alegria, era dureza, mas a gente se divertia com latas no chão, com o pé de jaca, com as buzinas e sons, a gente se divertia com a imaginação, com a ideia de viajar de avião...
A razão da minha existência nunca foi o dinheiro, a gente não era tudo farinha do mesmo saco, a gente comia mais com os olhos do que com a boca, a gente era feliz amando.
Por outro lado, tinha o lado triste e de humilhações. Mamãe sofreu para nos ter, os hospitais a recusavam. Mamãe já ficou em corredor de hospital, sem dinheiro para comprar remédios, mamãe já foi acusada de furto, coisas que deixavam a gente bem triste.
Eu amava refresco, nem consigo descrever a sensação que tive quando tomei suco delicioso pela primeira vez, era uma situação inusitada, parecia que eu nunca  tinha tomado algo tão gostoso e de fato nunca mesmo.
Às vezes dava vontade de largar tudo e ir embora sem rumo, mas eu sempre conseguia me recompor e assim a alegria voltava, os sonhos ficavam mais atraentes, a vida parecia normal e eu internalizava que eu não podia desistir. Desistir não era uma opção. E foi assim que foquei nas conquistas que o estudo poderia me proporcionar e descobri o significado forte das palavras lutar e conseguir.
Arcise Câmara


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Não gostei de nenhum homem que me bateu a porta ultimamente

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Não sou de me empolgar fácil, já mudei radicalmente de vida, incluindo perdas, já tive oportunidade de ir embora e fiquei, já me separei de quem amava com menos de trinta anos. Já fiquei desmotivada para o amor.
Deixei de mencionar frequentemente os nomes dos ex, eles fazem parte da minha vida, de um momento feliz, de modo explícito posso dizer que deu certo, cedo ou tarde a rotina diária e o amor diminuído ia acabar.
Encaro a vida amorosa como encaro um novo emprego, não vou para a guerra, também não tenho muitas inspirações para deixar as coisas mágicas, sou do menos é mais, sou do que é pra ser, será.
Quando vejo as notícias sensacionalistas e o tanto de morte em nome do amor e do ciúmes fico angustiada, não dou corda para ciúmes bestas e nem acho fofinho, bonitinho ou prova de amor.
Sou de compromissos, de aprender sobre o dia a dia, de acordar de manhã sem pressa, de ter um cachorro de estimação, sou que o tipo de pessoa que não me estresso por atraso.
Gosto de ir sempre pelo mesmo caminho, gosto de colocar a foto do amado na carteira, gosto de abraçar a todos, amo coisas baratas e vivo a vida com muitas experiências e coisas boas para contar.
Quando falo abertamente do carinho que sinto pelas relações que já passaram, ninguém entende, mas eu acredito que eles são melhores depois de mim e eu sou melhor depois deles.
Com o tempo o melhor virá, a gente começa a se afastar de pessoas ilógicas, a gente perdoa com mais facilidade, a gente curte ser gentil e não olha para o problema de ninguém.

Com o tempo nos afastamos dos falsos amigos, vencemos nossas batalhas pessoais, somos mais honestos e francos conosco, com o tempo podemos ser mais bondosos ou mais intolerantes, com o tempo construímos muros de tudo que não queremos, talvez por isso essa exigência. 
Arcise Câmara


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Não era a melhor funcionária

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Apesar de tudo, se esforçava para fazer tudo direitinho, era uma funcionária decidida, gostava de falar e agir, se importava com as clientes, tinha formação e informação.
Ela agia com os desejos de seus clientes, mas o seu lado pessoal sentia pena de si mesma, nunca perdoava uma ofensa de uma hora para outra, não se achava inteligente, na verdade queria ser advogada.
Impossibilitada de amar qualquer pessoa, ela caminhava sozinha pela vida, tinha vários momentos importantes e a família era seu mundinho feliz. Os tempos mudam, mas seus sentimentos fortalecem.
Os conceitos são outros, os exemplos ainda valem, a qualidade de vida está em alta, mas ela continua no tripé aprendizagem, poesia e fé. O caminho para o sucesso ela não sabe dizer qual é.
Nunca se casara, tinha defeitos de querer que os outros agissem como ela agiria, reconhecia a vida valia a pena ser vivida plenamente, tinha medo dos próprios sentimentos.
Pedras no caminho? Muitas, mas jamais viverá ao acaso, jamais tomou analgésico para ficar nova em folha, nada de adaptar com tranquilizantes, o que movia seu mundo era está rodeada de pessoas certas.
Cheia de amigos, levando desaforos para casa, ensinando seu ego a acalmar, e odiadora de grupos de whatssap, no qual só trazia inimizades. Não acha que foi feita para um par.
 Decisões são para serem tomadas, não usa a desculpa de falta de parâmetro, odeia decisões unilaterais, reuniões sem resultados. Sua beleza não parecia artificial, nunca sua imagem repercutiu negativamente.
Ama a verdade, entrega os resultados de forma adequada, aprende por si só e possui o coração mais livre que eu conheço para tomar decisões, mesmo assim não era a melhor funcionária, lhe “faltava bajulação”.
Arcise Câmara


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Muitos casais continuam juntos porque não têm dinheiro para se separar ou se bancar sozinhos

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Todo mundo sabia da minha paixão, meus olhos e minhas atitudes gritavam o nome dele, eu sonhava em namorá-lo, em casar, em ter filhos no mínimo uns quatro, confesso, eu era bem fantasiosa mesmo.
No entanto, ele só se aproximou de mim para tirar uma casquinha, que mal tinha “comer” aquele menina de olhar apaixonado, acho que ele pensou que estivesse fazendo um favor.
E foi assim que eu engravidei, engravidei do primeiro filho aos 16 anos de idade, uma menina cheia de sonhos e agora com vergonha da própria “sorte”. O casamento foi acidental, eu era de uma família tradicional, a nata da sociedade paulistana, um aborto seria a opção mais perfeita, mas o medo do inferno e as convicções religiosas de uma vida concebida lá naquela transa sem muitos atrativos excluíram essa opção.
Depois que o moço descobriu a gravidez contada por mim aos prantos, ele começou a me ignorar, fingia que não notava minha presença e eu fiquei cada dia mais apaixonada e mais insinuante, não sei por que, mas achava que o gelo que ele me dava era para esconder um milhão de sentimentos verdadeiros.
O casamento beneficia menos as mulheres do que os homens. Isso é fato, mas eu não tinha idade para essas compreensões filosóficas, ele fingia que não sabia da gravidez, mesmo eu tendo contado, não perguntava pela criança, nem pelas sensações que eu sentia, não se importava com meus medos.
 Não inventei esse fato e não gosto de afirmá-lo, eu estava jogando um jogo de xadrez bem complicado, parecia eu competindo com a máquina. Além do mais, eu tinha um milhão de teorias, a de não me casar antes dos 35, a de ter uma vida econômica aceitável e um mínimo de conforto.
A felicidade estampada no meu rosto só voltou depois de longo nove meses, quando eu vi a carinha dela, eu me reconhecia, eu me encantava, eu não entendia de onde tinha brotado tanto Amor.
O casamento como foi? O casamento não foi, está sendo, depois disso tive mais um filho, fruto de descuido mesmo, ignorância bruta de que não vai acontecer de novo e se acontecer não há motivos para vergonha aliás você é casada de papel passada e sob as bênçãos de Deus.
Eu me encaixo atualmente no título desse texto, e também convicta que eu não movo uma palha para ter o sucesso amoroso e a vida plena que mereço.
Arcise Câmara


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Justiça entre os sexos

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Tenho uma tradição, se eu lavo não enxugo, se cozinho não lavo louça, peço perdão por qualquer coisa que eu tenha feito e aceito pedidos de perdão também.  Nada me assombra tanto quanto as palavras não ditas nos relacionamentos.
Vou lhe dar um novo conselho, sintonizem os corações e os espíritos, paz não é somente ausência de briga. Paz é ter tempo, paz é aprender, paz é se importar, paz é aproveitar os momentos bonitos da vida.
Acho que quando a gente fala demais, fala o que não deve. Eu vivo essa experiência quase diariamente, sei que há dizeres necessários e secundários. Os necessários precisam ser ditos, e o que eu digo não precisava ser dito.
É preciso limpar a sujeira todo dia, refletir que há palavras que são muito fortes para serem ditas, acho que os casais não se separam por falta de amor, acho que a maioria dos casais tem alguém que se sente sufocado, cansado, infeliz. É dessa injustiça que eu estou falando.
Tem gente que procura ajuda tarde demais ou se esforça pouco, isso não salva um relacionamento. Caso você tenha perdido um super-relacionamento  fique longe e parta para outra, tudo que um dia acaba tinha uma razão de ser.
Relacionamentos quando acabam, não tem conserto, seja como for, há um limite até onde se pode ir com essas ideias. Não devemos cair no jogo eterno de “e se...” nem nos arrepender do fracasso. Fracassos nos fazem refletir.
Às vezes a gente só vê as coisas com clareza depois de acontecidas, daí a gente percebe que privatizou o casamento, deixou sem ar, isolado, solitário e vulnerável e não estou dizendo que a culpa é só nossa. Cada ação, uma reação.
O maior problema é quando falta dinheiro ou quando o “eterno provedor” ficou sem trabalho. Antes as mulheres se mantinham em casamentos horríveis porque não podiam se dar ao luxo de ir embora. Faltava grana para sobreviver.
Hoje, idealizamos as culturas em que as pessoas ficam casadas para sempre, mas não devemos supor automaticamente que a duração do matrimônio é sempre sinal de contentamento conjugal.
Arcise Câmara


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Invasores da sua privacidade

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 Dê bons exemplos, pois a melhor palavra é o nosso jeito de ser, a gente batalha, pede desculpas quando ofende alguém e perdoa de coração quando se sente ofendido, pois o perdão é o maior gesto de amor que podemos demonstrar. Mas para os invasores estamos apenas abocanhando um espaço para conseguir o que almejamos.
A vida nos ensina. Viver dá trabalho. Ser feliz também e os invasores nos enchem de palpites que dão certo, muito certo. A maturidade nos ensina que a restrição é tão benéfica quanto a possibilidade e os invasores vem com seus jeitinhos, sua mãozinha aqui, seu favorzinho acolá.
O obediência cega não costuma fomentar valores consistentes. Limita-se a ser a reprodução de um comportamento que deixará de ser considerada no momento em que cessar a vigilância. A demanda por ser quem somos está aumentando a cada dia.
Darei um passo de cada vez e somos bombardeados como alunos rebeldes ou palhaços da turma. A paz só pode acontecer quando a mente estiver em paz. Se a mente está em paz, a faca é apenas uma faca. É a intenção do usuário que determina se algo é destrutivo ou não, não a coisa em si. Então o que a humanidade precisa é de paz de espírito. O que todos precisamos é de paz de espírito.
Algo que tinha que acontecer é uma desculpa às vezes esfarrapada para justificar quem manda e desmanda, muitas pessoas escolhem viver de um jeito torto, livre e espontâneo, isso é problema de cada um.
O caminho para o paraíso está dentro de nós, não fora. Uma licença médica por motivos de saúde não te faz ser falsificador de atestado. Embora nossos pensamentos possam estar preocupados com o passado ou o futuro, a respiração está sempre no presente, nunca no que os outros vão pensar.
Estrilei quando descobri que ele estava em tratamento para reabilitação pela enésima vez, cair e levantar faz parte do processo enquanto a decisão definitiva não chega, mas os invasores só acham que você está dando confiança para vagabundo.
Arcise Câmara


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Eu tive vontade de perguntar...

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Quando tentei esmiuçar a minha resistência à cerimônia púbica de casamento, tive de admitir que parte do problema era simplesmente vergonha. Que coisa mais esquisita ficar em frente da família e dos amigos (muito deles convidados do primeiro casamento) e fazer novamente promessas solenes para a vida toda. Todos já tinham visto esse filme? A nossa credibilidade começa a perder o lustro depois de tanta repetição. Um divórcio pode parecer infortúnio, mas dois começa a parecer descuido. E três a culpa recai toda para si. A culpa é sua!
Aprendi a rechaçar vários sentimentos de medo e de choque, que na verdade os primeiros cônjuges nunca vão embora, nem que a gente não fale mais com eles, é uma memória bruta e uma assinatura na alma, a gente nunca esquece do sonho do “felizes para sempre”, mesmo que por mil vezes você esteja convicta que a separação era o único destino.
A gente aprende até a fazer aquela voz de “nada me abala”, o casamento concilia um monte de paradoxos: liberdade e compromisso, força e subordinação, sabedoria e idiotice vigorosa e pragmática.
Em todas as sociedades são necessárias testemunhas na hora de promessas importantes. A razão é que não é possível saber se alguém diz a verdade ou mente ao fazer uma promessa. Eu não menti promessa, mas meu amor foi embora rapidinho, nada foi o que eu esperava. Acho que no fundo a culpa e a expectativa era toda minha.
Respeitar o casamento é condição para permanecer casado. Eu até me recusava a fazer coisas simples e óbvias como sexo por exemplo. A gente perde a admiração e o sexo vai junto, ele se perde, foge, sai de fininho.
Sei com certeza que há quem fique casado para sempre não necessariamente por amar o cônjuge, mas por amar os próprios princípios. Eu às vezes não me dava conta do que fazia ou deixava de fazer como esposa, aliás, onde era mesmo que desfazia o botão?
No passado, tive de optar claramente entre honrar os meus votos e honrar a minha vida e escolhi a mim, não à promessa. A minha vida era cheia de dores de cabeças reais e inventadas. Estou injuriada com seus julgamentos, estou cansada de explicar, de ouvir que não dou certo com ninguém, na verdade eu quero dar certo comigo mesma, quero que as coisas fluam sem eu deixar de ser louca, leve e normal.
Arcise Câmara


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Entre amigos e familiares, os laços são muitas vezes mantidos pela dependência afetiva

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Reclamo atenção, me faço necessária, busco os elementos que compõem o amor, tudo que falo remeto a união, evito comentar erros, tenho saudade, dói ser co-dependente, dói amar em demasia.
Dói ter saudade, eu vivo ensaiando viver sem neuras, eu vivo imaginando um relacionamento com vínculos e compromissos, eu queria muito não me sentir indiferente.
Sempre acho que o amanhã será melhor, sempre acho que nos próximos anos meu coração e minha mente vão se acalmar, sempre tive dificuldade em dar carinho, sempre me considerei fria e insensível.
Sempre me achei fraca demais para amar e ser amada, não sei usar saias até hoje, não coloco panos quentes nas coisas, tem dias, muitos dias que amenizo os acontecimentos.
Gosto de um pedestal, gosto de querer ao meu tempo, gosto de perguntar dos amigos o que eles acham e sentem por mim,  gosto da força da generosidade, nós seres limitados, fracos nos transformamos em pessoas do bem.
Gosto do elogio sem bajulação, gosto da realidade crua, gosto de evitar decepções, evito a guerra interior, minha língua é bem afiada quando estou com raiva, depois fico pisando em ovos.
Às vezes é mais fácil ser generoso com os outros do que com a gente mesmo, às vezes é mais fácil mentir para nós mesmos, quantas vezes perdi a coragem para começar.
A gente não consegue reciclar o tempo perdido, nossa mente tem que estar bem aberta para perceber isso, perdoar quem nos ofende, pagar o ódio com o amor, não alimentar sentimentos ruins.
Ninguém disse que a vida seria fácil, vamos deixar ir quem não quer ficar, às vezes nos ocupamos com nossas próprias vidas muito baseado no certo e no errado, não mendigue sentimentos nem se apegue  a quem tanto faz para você.
Arcise Câmara


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

É aqui que eu amarro meu burro

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Por trás da aparente razão pela qual brigamos, existe sempre, ou quase sempre, uma razão que tem a ver com o senso de segurança e autoestima, mentalmente a gente quer estar de igual para igual.
No entanto, não percebe que isso acontece porque seu marido a considera como uma coisa já sua, uma parte dele, um afeto seguro, estável e independente do tipo de roupa ou de penteado, no entanto, você se considera “um acontecimento de importância nacional”, que merece ou não a companhia da majestade.
Tudo se confunde com meus instintos apuradíssimos, no apogeu da união, os dois permanecem dois, ao menos no sentido de que ninguém pode resumir o outro em si.
Sempre me safei das coisas das quais queria me safar, sempre tive tranquilidade para agir em meu favor. Eu me caso com você, mas não com seus pais, é uma afirmação ambígua que custei a aprender. Nunca duvidei, se, por um lado, ela expressa a realidade única da relação matrimonial, por outro, é também verdade que, num certo sentido, a pessoa se casa também com os pais do outro, ou pelo menos com tudo aquilo que eles representam ou representaram na vida dele. Acho que a gente se casa com a obediência ou desobediência aos pais e ponto.
Por raras vezes mencionei o que me desagrada, apesar da seriedade que me acompanha, da nobreza de alma e do comprometimento com a verdade e com o trabalho, fingir felicidade ajuda a colocar as coisas nos eixos.
Assim como o narcisismo puro deve ser descartado (essas imensas habilidades de aparecer na internet), também o altruísmo puro é orgulhoso, no qual quer se provar e igualmente suspeito e destrutivo para a personalidade. O excesso de altruísmo sexual, a preocupação excessiva com prazer do outro frequentemente é sinal não de amor, mas de insegurança.
Fico feliz e satisfeita por ter feito a coisa certa, vivo rodeada de gente que eu gosto, as pessoas costumam me comprar presentes, valorizar minha amizade com mimos, talvez elas vejam sentido em me presentear, mas meus poderes telepáticos afiados só me dizem que existe muita carência. Acho que ambos não deixam de ter suas verdades.
Amarro meu burro onde me convém, sou difícil de pronunciar a palavra Amor, falei para poucos, a pesar que eu achei que amei mais do que demonstrei, talvez eles não fossem merecedores desse amor ou eu não entendia que nem sempre o furacão no coração quer dizer sentimento.
Arcise Câmara


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Dez minutos não vão fazer diferença...

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É uma marca que normalmente caracteriza o egoísta frio, (dou gargalhadas escandalosas) relações sexuais satisfatórias dependem de uma boa relação amorosa, ou seja, de uma refinada capacidade psicológica de amar, e não vice-versa.
Meio esganiçada com o amor que é verdadeiro, tem obrigação de ser eterno, porque se algum tempo deixou de ser, nunca foi amor. Se chegou ao fim, não teve princípio. Que simpatia! Discordo de tudo isso! O amor mudou, as pessoas mudaram e o encaixe se desencaixou. Aquela cerâmica que ficou velha e cedeu, aquele quebra-cabeça que perdeu uma peça.
Queremos conciliar o inconciliável. Queremos reabilitar o passado. Não queria dizer absolutamente nada sobre isso, quem não gosta de viver, não tolera a convivência.
Tenho pavor de gente que humilha gente, de manter as aparências permanentemente, uma solidez ridícula sem sentimentos. É comum ouvir que fulano e sicrano sofreram muito. Ora, e quem não sofreu? Alguns ganharam notoriedade com a sua dor, outros a deixaram trancada, mas ninguém passou ou passa por essa estrada imune à dor do amor.
Tem gente até que morre subitamente por causa do outro. Ame-se, confie em si mesmo, em sua família e ajude a criar um ambiente de amor e paz ao seu redor. Vamos ter tempo para organizar as coisas por dentro e por fora, vamos nos despedir todos os dias, a gente não sabe como será o último.
Minha vó sabia ser antipática, gentil, fofa, linda e a morte lançou sua rede. Eduque seu filho através da conversa, do carinho e do apoio e tome cuidado: quem bate para ensinar está ensinando a bater, a gente não convence ninguém a se modificar. Esse ensinamento eu nuca esquecerei.
Procure resolver os problemas com calma e aprenda com situações difíceis, buscando em tudo o lado positivo, não precisamos nem ser carrascos e nem ser tábua da salvação de ninguém.
Pouco a pouco os fatos vão perdendo forma e foco, por isso partilhe seus sentimentos com sinceridade, dizendo o que você pensa e ouvindo o que os outros têm para dizer. Dez minutos fazem diferença Sim!
Arcise Câmara


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Calos por todos os lados

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O evento era público, para os íntimos e queridos, estava com um certificado de ter sido escolhida para sempre por alguém, no entanto, morria de vergonha da cerimônia, dos rituais e o principal de fazer promessas eternas.
Queria algo mais íntimo possível, estava muito fresca com cada detalhe, a linda noiva de vestido branco, com um sorriso reluzente e uma alma que saía do corpo. Eu tinha que trabalhar melhor minha relação com a vida a dois e tudo isso vinha à cabeça como flashes.
Nós mulheres especificamente, temos de trabalhar muito para manter as nossas fantasias separadas da realidade da maneira mais clara e limpa possível, os contos de fadas não existem, seu marido vai te magoar um milhão de vezes, anota isso!
Eu nem me conhecia suficiente e já achava que estava pronta para intimidades com outro alguém. Pelo menos nas famílias que vejo, a grande falta de paridade entre maridos e esposas sempre foi gerado pelo grau desproporcional de autossacrifício, onde um recebe tudo e o outro doa tudo.
Eu estava zero confiante, não era a desgraça social ser chamada de solteirona, acreditava na beleza do matrimônio, num lindo futuro a dois, na divisão de tarefas menos gratas, na paz que reinaria no lar.
O clima que eu pensava que seria bom à beça, era cheio de descontroles em público, percebi fácil que eu não escolhi amar um cara gentil e de bom coração, eu viajei! Como dizem por aí.
Nunca gostei de pedir permissão, nunca quis ter um pai ao invés de um marido, meu poder de convencimento, não era muito bom, eu estava presa e domesticada pela natureza “bela” do casamento.
Fomos um casal superdiscretinho, ele contestava meus desejos e eu desmoronava o meu sentimento, a energia boa ficou ruim rapidamente e todo mundo se metia na nossa vida de maneira assustadora e influenciadora. Os calos começaram a aparecer.
Independente da idade, casamento faz a gente herdar as coisa boas e chatas do parceiro, o outro fica mais decidido depois que você se mostra dessa forma, ou lamuriento se você é assim... Os calos também saram.
Arcise Câmara


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Às vezes nos esquecemos o que é amizade até que seja tarde demais

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 Senti no coração que eu nunca ia te perder, tudo era uma realidade distante, as tarefas mais simples de ligar, se preocupar ficaram distantes, uma situação que a gente criou.
Em alto e bom tom a amizade gritou, mas foi ignorada, oi? Sempre li em revistas o que faz uma amizade desabar, ir embora, mas dói saber que unilateralmente nada funciona.
Devemos ser críticos e reflexivos, observar as experiências que tivemos, não importa se é amizade ou amor, o equilíbrio faz parte de qualquer relação, precisamos aprender a valorizar as pessoas que estão ao nosso lado.
Quando as coisas mudaram? Nenhuma decisão importante na vida se toma na euforia ou tristeza já diziam os sábios, precisei buscar força interior, eu a tratei como coisa.
O tempo todo eu sabia que não estava valorizando essa amizade, tudo poderia ficar pior, é difícil voltar a plenitude quando estiver rodeada de cacos de vidros, refazer amizades desfeitas é muito delicado.
Na minha vida refleti sobre muitos aspectos, qualquer um é capaz de transformar uma relação desgastada, verdadeira amizades se fortificam, tenho um histórico de experiências positivas de quem está sempre me esperando acordar.
Se você acha difícil falar de qualquer coisa com o outro, a amizade pode ter morrido, os conflitos e a s mágoas não se dissolvem sozinhos, o esforço é necessário para salvar uma bela amizade.
A vida não é autolimpante, temos que ser inteiros e compreender  a plenitude do outro, não temos mais o triplo de oportunidades, não devemos agir  como se não nos importássemos, já que nos importamos, não cabe jogos na relação de amizade verdadeira.
Não importa raça, idade, religião, etnia, base cultural e carreira, amor é amor e tudo isso é o que menos importa. Feliz Amizade!
Arcise Câmara


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Agora estou toda envaidecida


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Não era uma crítica injusta, não era desamor, não era uma relação apaixonante, era respeito, era conversar sem ofensas, era destruir o ego das certezas, era imunização do coração.
Acabamos de atravessar a barreira do divórcio, um ponto final tranquilo, um morrer estando vivo, mas com a alegria de uma relação saudável, os laços que criamos não dissolverão.
Ainda prestamos atenção às necessidades dos outros, oferecemos o melhor de nós, fomos aceitos e amados na decisão de não mais querer, desejo-lhe novo amor, emprego e sucesso.
Com o passar do tempo, desejo-lhe segurança, para não deixar escapar aquele lado que ninguém aprecia, desejo também que sempre podemos ficar a vontade um com o outro.
Certa tensão sempre haverá, mas os ajustes devem ser constantes, a parceria deve ser pra toda a vida, relação e crescimento estão interligados no ponto de equilíbrio, é preciso apenas descobrir.
Sempre exerci meu poder sobre ele, mas como insegurança do que amor, eu deixava o outro em permanente dúvida sobre o vínculo assumido ora eu queria, ora não queria dar continuidade ao relacionamento.
Tudo era passagem, se não desse certo estava tudo bem para mim, o passado nunca me incomodou, incitar ciúmes nunca foi minha praia, nossa reação emocional e comportamental até que era razoável.
Quando quero corro atrás, nas relações de trabalho não é muito diferente, minha alma tem desconforto do que sai da linha, meu desempenho é exigente, não prego  que não faço, não me comparo aos outros,  enfatizo que tenho falhas, o mundo é mais lindo longe de mim.
O coração e suas razões desconhecidas, mas posso me vangloriar que a parte da relação que deu certo foi à maturidade do término. Ninguém querendo estar certo ou com ódio mortal de quem um dia muito se amou.
Arcise Câmara




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ganhei o status de vilã e nem poderia reclamar

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A vida só começa de fato quando você gosta de si mesmo e eu estava impaciente até comigo mesma, estava em crise de afetos, economizando amizade e com muito excesso de rotina.
Eu mesmo assalariada havia me prometido uma viagem dos sonhos, pensava nisso dia e noite, parava de trabalhar um instante para sonhar na internet, essa é a vantagem de trabalhar por conta própria.
Eu não tinha alegria em desfrutar a vida cotidiana, usava desculpas para ser infeliz, não possuía sensibilidade e nem percebia as coisas boas que me aconteciam. Eu poderia ganhar o Oscar na categoria “sonsa”.
Por muitas vezes banquei a feliz, às vezes me transformava numa estranha para mim mesma, meu estilo de vida era sem brilho, eu não era obrigada a gostar de ninguém e nem os outros me aceitavam.
Comecei a conjugar o verbo consumir, esse era meu propósito, tinha coisas que nem tirava da etiqueta, coisas que se perdia no meu armário e nunca mais via. Depois de um tempo escolhi viver.
Todo discurso de como ele havia sido cuidadoso, delicado e amoroso dificultava meu processo de desapego, eu constantemente colocava o choro para dentro, só para passar a sensação de bem-estar.
Por muitas vezes fiz sexo adormecida, roguei pragas possíveis. Fiquei fanática por vestidos, extrai todas as lições que pude e abracei com força a saudade, fiquei irreconhecível e até meu tom de voz era outro.
Cresci com grande liberdade e tinha horror a ordens de qualquer grau, valorizava pouco quem estava próximo, as coisas acabavam piorando a cada dia. Um cansaço tomava conta de mim, eu me sentia em estado de combate.
Para muitos eu era egoísta, mas eu sempre achei que não me amava, nunca gostei de incomodar ninguém com as minhas carências, precisava de espaço na alma, de confiança em mim mesma. Eu era mocinha traumatizada!

Arcise Câmara