quinta-feira, 20 de julho de 2017

Agora estou toda envaidecida


Resultado de imagem para Agora estou toda envaidecida

Não era uma crítica injusta, não era desamor, não era uma relação apaixonante, era respeito, era conversar sem ofensas, era destruir o ego das certezas, era imunização do coração.
Acabamos de atravessar a barreira do divórcio, um ponto final tranquilo, um morrer estando vivo, mas com a alegria de uma relação saudável, os laços que criamos não dissolverão.
Ainda prestamos atenção às necessidades dos outros, oferecemos o melhor de nós, fomos aceitos e amados na decisão de não mais querer, desejo-lhe novo amor, emprego e sucesso.
Com o passar do tempo, desejo-lhe segurança, para não deixar escapar aquele lado que ninguém aprecia, desejo também que sempre podemos ficar a vontade um com o outro.
Certa tensão sempre haverá, mas os ajustes devem ser constantes, a parceria deve ser pra toda a vida, relação e crescimento estão interligados no ponto de equilíbrio, é preciso apenas descobrir.
Sempre exerci meu poder sobre ele, mas como insegurança do que amor, eu deixava o outro em permanente dúvida sobre o vínculo assumido ora eu queria, ora não queria dar continuidade ao relacionamento.
Tudo era passagem, se não desse certo estava tudo bem para mim, o passado nunca me incomodou, incitar ciúmes nunca foi minha praia, nossa reação emocional e comportamental até que era razoável.
Quando quero corro atrás, nas relações de trabalho não é muito diferente, minha alma tem desconforto do que sai da linha, meu desempenho é exigente, não prego  que não faço, não me comparo aos outros,  enfatizo que tenho falhas, o mundo é mais lindo longe de mim.
O coração e suas razões desconhecidas, mas posso me vangloriar que a parte da relação que deu certo foi à maturidade do término. Ninguém querendo estar certo ou com ódio mortal de quem um dia muito se amou.
Arcise Câmara




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ganhei o status de vilã e nem poderia reclamar

Resultado de imagem para Ganhei o status de vilã e nem poderia reclamar

A vida só começa de fato quando você gosta de si mesmo e eu estava impaciente até comigo mesma, estava em crise de afetos, economizando amizade e com muito excesso de rotina.
Eu mesmo assalariada havia me prometido uma viagem dos sonhos, pensava nisso dia e noite, parava de trabalhar um instante para sonhar na internet, essa é a vantagem de trabalhar por conta própria.
Eu não tinha alegria em desfrutar a vida cotidiana, usava desculpas para ser infeliz, não possuía sensibilidade e nem percebia as coisas boas que me aconteciam. Eu poderia ganhar o Oscar na categoria “sonsa”.
Por muitas vezes banquei a feliz, às vezes me transformava numa estranha para mim mesma, meu estilo de vida era sem brilho, eu não era obrigada a gostar de ninguém e nem os outros me aceitavam.
Comecei a conjugar o verbo consumir, esse era meu propósito, tinha coisas que nem tirava da etiqueta, coisas que se perdia no meu armário e nunca mais via. Depois de um tempo escolhi viver.
Todo discurso de como ele havia sido cuidadoso, delicado e amoroso dificultava meu processo de desapego, eu constantemente colocava o choro para dentro, só para passar a sensação de bem-estar.
Por muitas vezes fiz sexo adormecida, roguei pragas possíveis. Fiquei fanática por vestidos, extrai todas as lições que pude e abracei com força a saudade, fiquei irreconhecível e até meu tom de voz era outro.
Cresci com grande liberdade e tinha horror a ordens de qualquer grau, valorizava pouco quem estava próximo, as coisas acabavam piorando a cada dia. Um cansaço tomava conta de mim, eu me sentia em estado de combate.
Para muitos eu era egoísta, mas eu sempre achei que não me amava, nunca gostei de incomodar ninguém com as minhas carências, precisava de espaço na alma, de confiança em mim mesma. Eu era mocinha traumatizada!

Arcise Câmara

A cura interior é um processo doloroso

Resultado de imagem para A cura interior é um processo doloroso

Nem sempre a vida proporciona alegria, às vezes a gente se chateia, nunca conseguimos terminar o que nos propusemos a fazer, ou ficamos tristes por não conseguir comprar aquele vestido em meio à crise.
A vida vai passando e vamos aprimorando a capacidade de tomar decisões em todos os campos da vida, depois de patética sucessão de erros a gente vai aprendendo com as lições que a vida dá.
Criei o hábito de devolver ao universo aquilo que não me serve, chafurdei um pouco meu coração e visualizei várias coisas desnecessárias. Comecei com as pequenas mudanças, aquelas que incomodam menos.
Tive que enxugar as lágrimas, mesmo que eu me sinta forte, elas insistiam em cair, afinal toda mudança é dolorosa e eu estava topando qualquer coisa para ter mais qualidade de vida.
Sempre acho que aquilo que escolho é o melhor, algo que vou amar por toda vida, mas a vida é bem diferente de tudo isso, a gente deixa de se encaixar, o que era maravilhoso perde a importância com o tempo.
Gostaria de poder ter dito que “ainda não”, ou poder ter dito mais “não posso”, ou “não quero” ou ainda, “não devo”, “não estou a fim”, usar essas frases libertadoras sem sentir culpa ou remorso.
Passei a dar valor as minhas coisas, tudo conquistado, com suor, sacrifício e honestidade, passei a pensar na vida que desejo ter daqui a 20 anos, pensei em dialogar mais sobre tudo que virou tabu ou me engessou a consciência.
Criei a cultura do desapego, senti mais felicidade em dar e achei mais importante do que acrescentar. No entanto, mesmo com muitas novidades positivas ainda existe uma ferida muito grande.
Tenho medo de mulheres inseguras e desconfiadas, medo de abrir a boca e levar uma bronca, medo de acreditar na crueldade como punição, medo da morte não compreendida, medo de fazer jus a rótulos. Estou em processo de cura.

Arcise Câmara

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Não alimente sentimentos ruins

Resultado de imagem para Não alimente sentimentos ruins

Não me envergonho de chorar na frente de quem quer que seja, não me envergonho de eliminar da vida falsos amigos, muito menos de mostrar fragilidade, gosto de estar perto com quem se parece comigo.
Curto companhia de quem não me desperta culpa, gosto de compatibilidade. Chega de dor de amor, chega de tirar as mágoas do lugar e bagunçar o coração, chega de ser responsabilizada por opiniões de terceiros.
Eu não sou nem metade do que eu gostaria de ser, preciso me adaptar a uma vida mais saudável, queria o luxo de dormir oito horas, queria descomplicar quem amo e valorizar mais o que tenho.
Queria deixar de mentir para agradar ou ainda deixar de brigar com aquela amiga que gosto de montão, sei que sou extremamente difícil, como alguém consegue ser bruta e sensível ao mesmo tempo.
Morro de medo de perder minha liberdade, tenho medo de abordar assuntos não favoritos, não sou adepta a olhar para trás, nem parecer ser aquela família perfeita que de perfeição só há o amor.
Cansei de ficar triste por assuntos que eu não posso mudar, não sou apegada as coisas, nem mesmo as coisas que para os outros tem valor sentimental. Já falei atrocidades inimagináveis das quais já fui perdoada, mas no fundo eu não me perdoei.
Já ouvi um dobra a língua para falar de alguém, quando eu realmente estava sendo injusta e julgadora. Sempre choro quando alguém chora. Me sinto desconfortável em me separar de quem amo.
Eu por vezes fui cercada de pessoas que adoravam me colocar para baixo, eu já fui muito magoada por quem amei, eu já deixei datas comemorativas perderem o seu sentido festivo.
Finalmente conseguir enxergar quem não me trazia alegria, me afastei de quem reclama muito da minha voz enjoadinha, me afastei de quem acha um exagero minha desordem organizada, me afastei para evitar o desgaste.
Cansei de fazer tudo para agradar, cansei de ser devorada pela ansiedade, cansei de sofrer continuamente tentando ser aceita num modelo ideal que não existe, cansei de sucessão de erros de me moldar a padrões para valorizar quem não faz nada por mim.

Arcise Câmara

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Eu só conseguia ficar triste

Resultado de imagem para Eu só conseguia ficar triste

Parei para pensar o que realmente importava na vida depois da morte de um ente querido, o que mais sinto falta é a sua amizade, seu afago, suas broncas e até nossas ofensas recíprocas.
Por dias fiquei aboletada no sofá pensando no nada, eu não me saía bem no quesito sofrer, mas a dor não saía do meu peito. Todo mundo passou a ter compaixão de mim, nada me dava alegria.
Passei a ser insegura, fiquei com medo de perder os outros que amo, tinha uma mania de pedir para Deus que tudo de ruim que pudesse acontecer com os meus que fossem transferidos para mim.
Eu não queria estar, nem existir, deixei de ter um lugar favorito no mundo, passei pela experiência da negação, coloquei na minha cabeça que ele iria voltar. Eu me fechei e fiquei em recesso.
Fiquei escandalizada com a dor que tive que suportar, perder quem se ama é como perder seu tesouro mais valioso. Às vezes me pego pensando nele sorrindo ou dizendo "eu te avisei", ou explicando para eu não abandonar o barco.
Por um período fiquei inconsciente, como se nada fosse me libertar daquele pedaço de mim que tinha se perdido, precisei fomentar minhas bases religiosas para não pirar, acabei me ocupando e deixei a preguiça de lado, era preciso energia e uma vida mais feliz.
A cada dia tenho a certeza que temos mais do que precisamos, economizamos nos afetos, nos gestos de carinho, não contemplamos o por do sol, a gente se desgasta com excesso, tem necessidade de virar a noite.
Por vezes meus amigos me colocaram no colo, por dias e anos revivi a dor, eu me senti fora do mundo, estava cheia de traumas, distanciada da felicidade, traída por sentimentos contraditórios.
Tudo era tedioso, a mesmice do dia-a-dia, a falta de coragem para acordar, as conexões desconectadas de não ter cabeça nem para escolher as próprias roupas. A minha vida estava com olhar no passado.
Fui conduzida a certeza da infelicidade eterna, fiquei em estado de hibernação, nem por um minuto achei que conseguiria ser feliz novamente, tive que agilizar minha rotina para não enlouquecer, tive que me impor para continuar sobrevivendo e assim as pequenas felicidades começaram a aparecer.

Arcise Câmara

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Eu não consigo ficar triste

Resultado de imagem para Eu não consigo ficar triste

Ofensas recíprocas não me deixam tristes, aliás já me deixaram, hoje em dia não mais, eu ficava aboletada no sofá, pensando com ódio, rememorando a cena, fazendo análise do que eu poderia ter dito.
Em cada patada eu sempre achava que a pessoa se saia melhor do que eu, isso me tirava a alegria. A gente está nessa vida para ganhar né, para deixar a insegurança, para acabar com a mania de achar que o outro pode tudo e nós nem podemos revidar.
Às vezes me pergunto onde eu quero estar, qual o meu lugar favorito no mundo, às vezes me sinto adiantada no tempo, ou ainda me escandalizo com coisas apropriadas, outras disfarço com um sorrisinho de quem quase sempre abandona o barco.
Hoje em dia meu inconsciente é libertador, fomentei bases do “posso tudo que me faz feliz”, posso me sentir bem tanto com preguiça quanto ocupada realizando desejos, posso me amar com as energias vibrantes que possuo ou ser feliz mesmo sem possuir coisas alguma.
Hoje tenho apenas uma certeza absoluta: Temos mais do que precisamos. A onda agora é economizar dinheiro, evitar até liquidações, evito também me desgastar em excesso, porque não me desgastar seria o ápice do nirvana.
Eu nunca tive necessidade de virar a noite, nunca fui noturna e nunca serei, assim como sou apegada a dor, dramas e saudades. Eu e a sensação que o mundo inteiro não me compreende.
Criei distância de quem não cruzo energia, perdi amizade com quem me traiu uma única vez, sou feita de conexões, não ligo para roupas ou autoimagem, o que faz uma pessoa ser positiva é a alma.
Com o tempo organizei o passado, sou movida a conduzir certezas, mesmo sem o estado de hibernação, eu também agilizo pensamentos desconexos sem me impor totalmente, não alimento autoritarismo, mas sou de personalidade mandona e por vezes me sinto algemada em saber que não posso mandar no mundo.
Tem gente que diminui o outro para se impor, eu apenas me afasto na primeira ameaça e não falo de ameaças físicas, falo de fragilidades incompatíveis, falo de alguém que desperta culpa, falo de sexo sem desejos.
Eu não fico triste com o desenrolar da vida, quanto mais eu vivo, mais certeza que o bem nos contempla.

Arcise Câmara

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Recomeçar, melhorar o estilo de vida e ser mais feliz

Resultado de imagem para Recomeçar, melhorar o estilo de vida e ser mais feliz

É evidente que estou satisfeita com a vida, ando compreensiva comigo mesma, ajeito as coisas quebradas no peito, reordeno a bagunça da mente, assumo o compromisso em não falar demais.
Aparentemente uma trégua, um stop na ordem de ter que justificar tudo, parei de responder perguntas sem sentido, entendi a arte de ouvir, decidi pelo divórcio de uma forma até dissimulada.
Chamei a atenção com a mudança, as pessoas falavam que éramos um casal perfeito e eu fingia que acreditava, claro que tínhamos um motivo, claro que ninguém podia bancar o sabido em sentimentos alheios.
Eu comecei a despertar ciúmes, era inacreditável que alguém separada recentemente poderia estar feliz, as mulheres não sabem lidar com separações e você está ótima, você nem mudou sua rotina e nem ficou assexuada.
As roupas ficaram mais informais, o objetivo único e exclusivo era encontrar a missão do coração, sair com as amigas, ajustar o corpo físico, colocar em dia os papos triviais e as coisas de comadres.
A gente chama mais atenção quando tira a aliança do dedo, a gente também fica confusa, cansada e com medo de errar, a gente quer confete por conta dos anos de ausência de elogios.
De repente, nós experimentamos a alegria de estar cercado de gente que se ama, sendo gentil, falando com naturalidade até dos términos, se sentindo fraco e forte ao mesmo tempo.
Fui traída a torto e a direito, não sabia apaziguar, saí a francesa, não lidei de frente com o rompimento. Engatei um namoro de cara, mas terminei, ficar com alguém que não gosta de seus filhos é coisa de mãe filha da puta, eu tive uma mudança drástica no meu estilo de vida, minha vida financeira melhorou.
Cansada de me sentir controlar, o ambiente me traz bem-estar, mas preciso de aconchego, não quero um lugar no qual tenho que demonstrar raiva o tempo todo.
Não gosto de dar um passo de cada vez, sou intensa, penso em tudo, quero tudo para ontem, se ele não vai voltar e eu não quero mais, nada mais justo do que eu recomeçar com mais força e mais feliz.

Arcise Câmara

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Não realizei meus sonhos

Resultado de imagem para Não realizei meus sonhos

Aprendi a vida inteira a reprimir as emoções, não chorava quando tinha vontade e fingia sorriso quando tudo parecia desmoronar, fugia quando o assunto ficava forte demais, com o tempo passei a ter a sensação de perder tempo.
Sempre dava o primeiro passo, sempre pedia desculpas, recuava, fazia vontades, faz tempo que venho tentando mudar, não quero acusar ninguém, mas cansei de pensar apenas nos outros.
Minha vida começou a ter muitas perguntas e poucas respostas, se muita gente queria se afastar de mim, conseguiram, perdi o interesse por tanta gente, muita gente fica com pena de mim, mas eu me autodescobri ficando ao lado de quem me faz bem.
A questão era bem mais complexa, estava dormindo muito, sem vontade de nada, não tinha vontade nem de manter os amigos, mais uma vez todos ficaram com pena de mim, eu precisava consertar muita coisa, inclusive minhas crises.
Todos os dias eu me surpreendia com uma dor de cabeça nova, estava saturada de palavras ao vento sem amor concreto, a minha vida estava repleta de desculpas, eu não conseguia nem dar satisfação para mim mesma.
É só uma fase, vai passar, ouvia isso constantemente, me dava até raiva, eu estava curtindo a minha morte social, não era provocação, não era guerra de silêncio, não era rebeldia, sabe o que era? Cabeça nas nuvens.
Minha expressão se alterou, estava olhando para trás e consequentemente triste, não levei casamento à sério, não fui atrás das possibilidades, não casei por amor, não mudei de ideia quando o meu sim me agredia mentalmente.
Entendi tanta coisa na terapia, eu precisava me autoconhecer, eu precisava falar, falar, falar até o ponto de me ouvir, até o ponto de entender meus próprios conselhos, eu passei a vida pensando muito, mas sem atitude.
Eu tinha dentro do peito bombas prontas para explodir, eu era uma farsa, eu me sentia inútil, fracassada, infeliz e de mal com a vida. O que me motivou a me impulsionar foi entender que a vida é curta para perder tempo com o que não funciona mais.
Dormia tarde não por vontade e sim por insônia, explorei meu lado mais fraco, porém consegui falar o que me incomoda, até a falta de elogios, de curtidas, de confiança em mim mesma me afetava.
Não realizei meus sonhos ainda, mas já me levantei.

Arcise Câmara