quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Abre mão de toda a gama de possibilidades

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Por mais que disséssemos: “gostamos de você”, a depressão não queria ouvir, até o ato de comprar ficou de escanteio, eu estava a par da situação, sabia que a depressão é prima-irmã da ansiedade e do suicídio.
A gente sempre acha que não pode fazer nada além do que já faz, parece incabível ninguém ter fome de viver, parece desnecessário deligar-se emocionalmente e fazer o sopro da vida ficar inexistente.
Briguei, precisava selar as pazes, estava me sentindo com um ar de superioridade, queria dar lições de moral, estava preocupada em processar que não devemos virar as costas e ir embora.
As mulheres valorizam a intimidade emocional, as mulheres tem mais depressão que homens, as mulheres cometem menos suicídios. Homens cometem por desesperos financeiros ou ciúmes, mulheres por doenças ou por qualquer coisa. Ambos doentes na alma.
Não é uma forma de vida ser infeliz, não é uma prática diária da arte de viver saber lidar com as emoções... A vida é sua, mas as consequências são de todos nós. A gente se trai quando afirma isso com todas as letras, fica um pouco insustentável quando percebemos que nenhum relacionamento nos dá o amparo emocional para continuar vivendo.
Não existe compromisso ou o comprometimento, a sensação não é a mesma, ninguém fala que é proibido se matar, ninguém consegue dar ordens ao nosso imaginário, somos individuais nas decisões.
Parecia que eu estava sob escolta policial, uma sensação de alerta intermitente, inquietações que me faziam mudar as táticas, eu deixei de amar, deixei de admirar, te reconheço doente, me importo, mas não posso ser sua muleta.
Quando o compromisso e a intimidade estavam presentes parecia tudo mais fácil de contornar, agora tudo parece pena, compaixão, não pareço superfofa ou mão-aberta, sou dependente, controladora e dominante. Sou a tua salvação e isso mexe demais com a minha cabeça.

Arcise Câmara

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A bolsa senta

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Faz tempo que queria falar sobre esse tema, ocupa-se a cadeira com a pessoa e outra cadeira com a bolsa e nunca perceber que tem pessoas em pé necessitando de cadeira, isso serve para sofás, bancos e afins.
Quando a gente vai para o cinema a gente pula uma cadeira depois de duas cadeiras ocupadas e fica de olho se tem cadeira sobrando para eu escorar a bolsa.
Eu não sei se a bolsa é um medo de gente, a bolsa me protege, a bolsa me isola, a bolsa me dá um certo espaço, ou se é falta de altruísmo mesmo, falta pensar no outro, falta gentileza, falta um olhar mais simples.
Guardar lugar também acho uma coisa tão desigual, o outro chega tarde e senta, já eu que cheguei primeiro tenho que ficar em pé porque tem bolsas guardando lugar. Tudo bem, é legal ter companhia ao lado, fazer gentileza para amigos, fazer favor, mas acho injusto.
A vida é injusta mesmo.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Prazer intenso

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Conseguir ver o que há de errado em nós mesmos, sentimos culpa em ter prazer, somos movidos ao que ele vai pensar de mim, a gente não entende que cada um é cada um.
Eu estava disponível para tudo, por mais que eu debochasse de certas coisas estava apta a aprender sem falsos pudores. Na verdade tudo na minha vida sempre foi muito intenso, eu sempre dizia: “Se você for embora, não pense que vou esperá-lo”.
A vida não examinada não vale a pena ser vivida, queremos que o outro faça aquilo que desejamos, o silêncio sempre me incomodou, o amor tóxico também, duas pessoas atirando granada uma na outra e se dizendo “amantes eternos”. Sorry, não entra.
Eu me senti atraída não quer dizer aceitar qualquer proposta, sei que magoo quem amo, sou mais de não do que de sim, sou saudavelmente verdadeira e não tolero comportamentos de fazer para agradar.
Vocês estão vendo algo de errado na minha vida? Ausência de gravidez? Sim. Menopausa tardia? Sim também. Escrever em excesso? Sim, eu sempre precisava, não aguentando mais escrevia bastante, ninguém ia saber o que era ficção e realidade, as coisas se misturam numa mente dramática e num coração sem filtros.
A pior coisa do mundo é quando duas pessoas dividem responsabilidades, sendo que uma não é tão responsável assim, você nunca tem certeza se as coisas estão no controle. Dividir a intimidade também não é nada fácil: um dia ele vai estar meigo, noutro, irritado, de manhã, carinhoso, à noite, desprezível.
Eu sempre fui rebelde e teimosa, tenho minha parcela, minha autoestima sempre esteve vinculada ao sexo, se me achava à rainha da cocada preta, o sexo era incrível, se me sentia o patinho feio, não conseguia nem lubrificar.
Cada um foi viver sua vida e os prazeres foram ficando individuais se é que me entende? A gente pisa em ovos até para falar de sexo, algo que deveria ser tão natural.
Meu senso de tempo é terrível, gosto de fazer ou desfazer o mais rápido possível, gosto de esvaziar minha relação de confiança com quem quer que seja. Não suporto desanimação em forma de gente.
Que seja intenso enquanto dure.

Arcise Câmara

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Enfrentando algumas decepções

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A minha história é complexa, quer ouvir?  Primeiro tenho que começar falando que mesmo com tudo que aconteceu estou disposta a conhecer homens que valham a pena quando a oportunidade se apresentar.
Sei que é uma meta muito ousada para quem sofreu horrores ou para quem amou sozinha, sei também que não havia nenhuma cura mágica, inteligente ou elegante. Quanto mais gostava dele, mas facilmente me magoava com suas atitudes.
Dei um passo atrás e me tornei observadora da própria vida, caramba que cansativo, que vida chata, como alguém consegue viver tão egoisticamente? O mais engraçado é que parecíamos estar emocionalmente próximos, mas éramos dois infelizes.
Puxa a cadeira que tem uma quantidade excessiva de informações para te contar, eu sei que todo relacionamento representa uma grande oportunidade de aprendizado, que tudo que acontece tem um motivo, mas tudo era tão comum.
Eu não quero mais ouvir que é da natureza dos homens trair, eu não quero ouvir que mulheres refinadas fingem que não sabem do caso amoroso do amado, eu não quero ouvir que bom gosto não se discute e que ele só está se divertindo.
Não vejo você feliz, não acho as conselheiras amorosas felizes no que dizem, muito menos no que vivem. A vida é difícil e nem tudo é como queremos, mas respeito não cabe em qualquer lugar? Ou estou errada?
Meu coração não é de pedra, não tenho habilidade em discutir, mesmo que eu tente explicar ele não quis ouvir, a culpa era minha. Vê se pode? A distancia aumentou e a intimidade chegou no grau zero, fui desapegando desse amor romântico.
O meu ex se chocou ao ver que eu sobrevivi e estou até mais bonita e mais feliz, o casamento simplesmente acabou por falta de manutenção, eu me sentia insegura e rejeitada e esse foi o motivo do fim. Posar de feliz sem ser fere todas as minhas expectativas novelísticas.
Eu aceitei que poderia não amá-lo mais e o meu coração foi generoso em olhar para outros campos emocionais não menos importantes. Em geral o narcisista e egocêntrico do meu ex não se preocupou nem um pouco com a maneira como o comportamento dele me afetava até que um dia deixou de afetar.

Arcise Câmara

sábado, 23 de dezembro de 2017

Feliz 2018


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Nada de liberdade exagerada, falta de comprometimento, culpa, ingratidão, algoz, que o casamento deixe de ser até que a morte os separe e seja aquele compromisso diário de amor e respeito, que não existam frustrações e sofrimentos de toda ordem.
Que a gente recorde de acolher na mente a felicidade que vivemos, a saúde, a beleza da vida, as pequenas contemplações, os obstáculos superados e a garra para não esmorecer.
Que os meus amigos continuem sendo meus amigos, mesmo depois da mágoa, que o respeito às outras culturas impeça os nossos julgamentos, que o verdadeiro amor seja um compromisso.
Que nossos códigos de conduta sejam enraizados em nós, que eu encontre a outra metade da minha laranja para sermos dois inteiros no mundo, que nossas emoções profundas e genuínas não estejam trancadas num cadeado.
Que uma atração à toa não nos faça fugir do foco, que possamos entender que o que recebemos da vida é algo distinto para o nosso aprendizado espiritual, que possamos dar um jeito de fazer as pessoas se sentirem a mais importante do mundo.
Que o amor seja uma bênção, que possamos ser agradáveis, polidos e livres, que nossas características positivas sejam inexplicáveis, que não nos lembremos de coisas erradas.
Que continuemos com uma ligação emocional muito forte com a nossa família, que a sentença da vida seja o Amor e o Respeito às diferenças, que não seja tão difícil perdoar.
Que não haja dúvidas quando o homem certo aparecer, que as frustrações desapareçam em poucas semanas, que a sensação que o mundo te esconde algo seja apenas surpresas brotando.
Que a nossa vida seja uma vida decidida e que possamos avaliá-la a cada noite antes de dormir, que a violência não destrua nossas almas, que possamos ser capazes de reagir com frieza aos momentos complicados.
Que o recomeçar em 2018 sob todos os prismas seja a completude de um novo ciclo cheio de esperança, paz e amor e que possamos ser a mudança no mundo.
Feliz 2018! Feliz Ano Novo! Feliz Vida! Feliz Ciclo!
Arcise Câmara


Feliz Natal

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Natal é nascimento e quantas coisas boas ser nascido em nós, quantos desafios teremos que enfrentar nesse novo ano que vai chegar, algumas perdas pelo caminho.  Não podemos nos limitar a existir, temos que fazer diferença no mundo e renascer em cada Natal é essa grande oportunidade.
A impressão que dá é que estamos envelhecendo rápido demais, que o tempo anda acelerado, voando... Então vamos basear a vida em boas intenções, em gratidão, em ajudar o próximo.
Amo Natal, curto estar ao lado de cada um que dividiu minha vida o ano todo, considero uma data muito especial, é o aniversário do menino Jesus, a nossa referência de Amor.
Agradecida pelos relacionamentos aprofundados com meu pai, minha mãe, meu namorado, meus tios, meus sobrinhos, meus irmãos, meus amigos e meus colegas de trabalho. Como essa convivência me enriqueceu e me aproximou do Amor.
Peço licença a qualquer outro sentimento de menor importância, hoje quero voltar as minhas atenções para o Salvador, para o menino que nasceu que transformou as nossas vidas, que nos enche de ensinamentos incríveis, que nos dá um norte.
Faz parte do pacote “amar a todos”, até aqueles que não simpatizo, os chatos, os injustos, os que te prejudicaram. Amar a todos é uma regra sem exceção e isso nos ajuda a limpar a alma, nos ajuda a entender que a gente erra com os outros assim como erram com a gente.
Sinto-me abraçada nessa data, assumo com excessividade a intimidade com o divino, boto para fora a reflexão sobre o respeito e a admiração,  medito o que move a minha vida há muitos anos e revelo aqui: crescer como ser humano, melhorar a cada ano.
Percebo um apanhado de questões não resolvidas, minhas rabugices desnecessárias, as alterações de planos, as intolerâncias que afetaram o convívio.
Trata-se de você com você, hoje mais do que nunca, o ser humano deve ser capaz de pensar de novo, renovar-se, enxugar as lágrimas, anular as tensões e os ressentimentos, ser uma pessoa satisfeita com cada ciclo, com cada oportunidade de Ser Natal Todos os Dias.
Arcise Câmara


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A mulher divorciada precisa:

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·         Manter a mente aberta e estar disposta a conhecer pessoas novas
·         Ser autoconfiantes para viver sem eles
·         Ser feliz
·         Renunciar ao seu apego ao passado
·         Ter carisma e coração
·         Fazer por merecer
·         Deixar de ser infeliz por coisas imperdoáveis
·         Nunca se meter numa roubada
·         Reprimir amor que faz você sofrer
·         “Ir longe demais”
·         Desejar o mundo
·         Amar cada pretendente
·         Torcer pela insensatez
·         Evitar incertezas, brigas, distâncias e falta de comprometimento
·         Se importar com as pessoas que amamos e nos amam, nada mais importa
·         Despedir-se da geração do “pra sempre”
·         Entender que a união de fortes e fracos não sobrevive
·         Saber que o relógio biológico para de repente
·         Se refazer em minutos
·         Saber que incertezas vão acontecer
·         Economizar dinheiro, palavras, sentimentos
·         Viver sem "formas"
·         Encarar o mundo lá fora
·         Sintonizara relação entre duas pessoas
·         Razão de existir e compartilhar a vida
·         Acreditar em cada palavra
·         Ser imparcial
·         Evidenciar que o preço para estar só é alto demais
·         Comer feijão preto, azeitonas, cebola, alho e tudo que quiser
·         Traduzir palavras melosas
·         Agradar as pessoas amadas
Arcise Câmara


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Um público tão grande de eleitores em potenciais

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Eu revesti esse desejo de uma forma cruel de aversão, minando cada vez mais a possibilidade de me misturar aos outros políticos, tinha gestos de gentileza, não comprava votos e não fazia alianças.
O meio era sujo, envolvia as pessoas que eu mais amava, minha família, tudo era especulação, mentira. Eu ficava cada dia mais pálida e magra, não parava notícias mentirosas e caluniosas que difamavam meus entes queridos.
Eu estava no extremo, cansada, com pressão familiar de um casamento quase desfeito, o marido insistia: “esse campo não é para as pessoas honestas”, um amor real no ápice da crise por ideologias de um mundo melhor e mais justo.
Só estou tentando ajudar o país, isso me parece importante. Não quero ser paparicada, incluir datas comemorativas, quero apenas dar dignidade as pessoas, construir uma imagem que o bem ainda é o melhor caminho.
Seria um consolo ter alguém ao meu lado lutando comigo, mas pelo visto tudo parece utopia, o amor pela causa social parece não ser de verdade, até os mais íntimos parecem não conhecer o que eu quero de verdade.
A minha vida não dava uma história bonita, nasci rica, sem competição, não fui órfã, minha infância não foi sórdida, desumana, tive todo cuidado e atenção, tive amor, não precisava “perder”. As influências do dinheiro sempre me ajudaram.
Eu não era um bom político, era generosa sem exigir nada em troca, tinha o homem dos meus sonhos, era limitada e cheia de virtudes trazidas da criação, por várias vezes externava o que sentia, sem me preocupar, ferindo os interesses partidários.
Sabia que apesar de todas as crises, sempre teríamos um ao outro, mesmo em um curto espaço de um ano tivemos brigas frequentes, nós jamais abandonaríamos o barco que nos comprometemos a navegar.
Cresci num contexto de muitas exigências, fui educada para entender as fragilidades do mundo, minha vida era uma gangorra entre alívio e desapontamentos como toda e qualquer vida.
Eu só queria mudar o mundo das pessoas, mas está tudo tão corrompido, tão desacreditado, não nojento que talvez a forma que eu possa mudar o mundo é mantendo relações justas, sinceras, incorruptíveis.
Arcise Câmara


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Quem eu sou? E quem escolho ser?

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Não dava valor ao que tinha, vivia comendo doces, era difícil ver o doce como algo tão danoso, às vezes o melhor modo de amar e ajudar uma pessoa é deixá-la em paz ou dar-lhe a chance de tentar ser do jeito que ela é.
E o que o doce e o amor têm em comum?
Às vezes se acredita que uma pessoa está realmente tentando ajudar outra, mas na verdade ela está apenas alimentando a vontade de comer doce sem se sentir culpada.
A dificuldade é que bondade, justiça e questões morais não são políticas, pagar mais barato pelas coisas era algo que envolvia riscos, pensar só em si destruía a Moralidade. Era preciso impor e promulgar uma lei “amem uns aos outros”.
Sou do tipo que falo de maneira automática e casual, a legislação não é simplesmente uma concordância a respeito do que é certo e errado, tem umas infinitude de mãos abanando, tentando inutilmente ter suas necessidades mais básicas atendidas.
As leis que proíbem assassinatos, fraudes, danos é mesmo um avanço, fico trêmula só em pensar que é preciso proibir coisas tão óbvias. Que tipo de glória é obtida quando ela é atingida à custa dos outros? Cheguei ao limite do nojo, como posso viver na dúvida ou sem compaixão?
Não desejo coisa alguma, tenho preferências, mas não necessidades. De vez em quando meu humor dita o clima, às vezes acho que o mundo não evoluiu e ainda opera com uma mentalidade primata, outras vezes desfaço-me de desculpas acerca das diferenças, dos sinais sadios de individualidade.
A gratidão suplantada pelo medo, mesmo quando eu lhe apresento uma opção, uma ideia, uma opinião, você não tem toda a vida para concordar ou discordar, tudo é um processo de recriação, hoje pode, amanhã não.
Eu me sinto inconveniente e culpada, uma nova pessoa por dentro e por fora, detesto a ideia de enterrar alguém, eu me reconciliei não só com quem eu era, mas com quem sou e com quem quero ser, desanimo com facilidade e preciso acreditar na própria capacidade de hora se de um jeito e poder mudar a qualquer momento.
Arcise Câmara


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O cheiro era companhia de amigos

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Sou especialista em decisões rápidas, essa impulsividade ainda me mata. Na minha família eu era vista com um ser inferior, alguém que não prestava para nada, parte disso era como eu me enxergava e outra parte era o reflexo desse pensamento nas atitudes.
Hoje estou péssima, estressada, sem concentração, buscando respostas, motivos ou a morte. Os músculos doem, a cabeça explode, eu nunca nem pensara em trabalhar, usava palavrões como se fossem vírgulas.
Recém -nascidos são pegajosos, ensanguentados, delicados, frágeis  e enrugados, pra mim? Não precisava! Não me sentia apta a transar por aí sem consequências, minha vida era tão merda para eu cortar o único alívio que eu tinha chamado li-ber-da-de.
As pessoas me observavam como se eu usasse drogas, ficavam buscando sinais nos olhos, na posição, no meu jeito de falar, na forma irresponsável como eu vivia. Nunca seria esquecida,  qualquer um falava de mim, até a pessoa que acabou de me conhecer, qualquer um tinha um conselho, ou dois, ou mil.
Parte de tudo isso era o ódio que eu sentia de mim mesma, caso contrário já teria tentado suicídio, aí sim cairia no esquecimento. Eu aguentava firme, tinha a certeza que eu deveria fazer o bem a mim e mudar essa interpretação maldita que até eu fazia ao meu respeito.
Continuei com minha conversas moles e piadinhas sem graça, porque eu sabia sobreviver num mundo de maldades, sempre tive a seguinte filosofia: as pessoas vão até onde a gente deixa e eu deixava e me vitimava por isso.
Algumas pessoas deixaram marcas negativas em mim, deixaram lembranças ruins que eu não consigo apagar, mas decidi pelo menos dessa vez ter consideração por mim mesma.
A família que eu tinha era a família que todo mundo gostaria de ter tido, recebiam na porta, eram receptíveis, amáveis, felizes, unidos e altruístas, trabalhadores e tementes a Deus e eu só consegui enxergar que minha vida era boa pra cacete quando as companhias dos verdadeiros amigos se aproximaram. Foi aí que eu percebi a diferença entre o que eu era e o que eu estava fazendo da minha existência.
Arcise Câmara


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

No dia do seu casamento

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Pense numa comédia romântica e deixe seu casório mais leve, mais água com açúcar, mais bobo. Ria pra caramba, chore de alegria e principalmente curta as emoções.
Se alguma coisa der errado, não há nada que você possa fazer, relaxa! Às vezes as falhas técnicas só você percebe, convidado nenhum nota, a não ser que seja atraso, coisa bem difícil de se acostumar  são atrasos que ultrapassam meia hora.
Evite convidar os insaciáveis por fofocas, observe: as situações chegam, nos escolhem, nos faz pensar, evite a insegurança, a festa não vai ser melhor ou pior que a de ninguém, a festa vai ser única, sua, exclusiva, do jeito que você pensou.
Não existe outro tempo além deste, não existe outro momento além deste, viva o presente eternamente, jogue os cabelos para trás, olhe nos olhos, sorria, curta a paquera, a cumplicidade com seu noivo, vocês vão lembrar desse dia para sempre.
O amado não apareceu na sua vida acidentalmente, não foi coincidência, esse ser humano tem o propósito de te fazer feliz, nada ocorre por acaso, a vida não é um produto da casualidade.
A maioria das pessoas define “errado” como o que é diferente delas, as coisas podem ser do seu jeito e pronto, você pode casar de preto ou de vermelho, pode casar descalça ou de roqueira, pode fazer seu evento exclusivo e do seu jeito.
Sabe como é, ao longo da história existiram muito casamentos, nenhum deles conseguiu mudar alguém, o mundo pode mudar, a pessoa pode se transformar, as coisas ao seu redor podem sofrer mutações, mas é tudo de dentro para fora, nem caia na história de que o outro vai ser o que você deseja.
Nem o amor, nem a essência de ninguém se inventa. Você só pode conhecer o frio se houver o quente, a parte de cima se houver a parte de baixo, não dá para desconsiderar aquele filho que a mãe disse sim para todas as suas vontades. Nossa infância e juventude refletem diretamente no comportamento e no resultado desejado ou não.
Acredite! O dia chegou! O dia do “claro que estou contigo”, o dia do “na boa”, “Vamos lá!”, o dia do “Tá legal”, “Sem problemas”, o dia da Decisão de Ser Feliz de Desejar ser Feliz e fazer tudo que puder para que isso aconteça e que esses propósitos sejam até que a morte nos separe.
Arcise Câmara


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Madrinha de Crisma da Ex-Cunhada

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Jamais será possível experimentar realmente aquilo que o outro sente, mas dá para experimentar aquilo que sentimos com as demonstrações de afeto do outro.
Desde quando ainda estava casada recebi o convite de ser Madrinha de Crisma, as exigências do “cargo” me faz refletir bastante como ser humano, como alguém que pode preencher áreas não preenchidas, como aconselhar no amor, no serviço à igreja, falar sobre o esqueleto da vida...
Quanto mais o tempo passava, mas a certeza de que eu seria a madrinha, o convite continuava de pé, mesmo a proximidade não sendo tão intensa. Confesso que tenho apego e sentimentos por muitas pessoas ligadas ao ex. Confesso que elas não se separaram de mim e nem eu delas.
A princípio achei o convite imaturo, sem necessidade, depois achei o convite inocente e puro, aquele vindo do fundo do coração. Eu aceito bem a minha realidade de divorciada, aceito bem a condição de que meu ex-maridex não quer me ver nem pintada de ouro. Não entendo a sua revolta, não fomos o casal mais civilizado do planeta, mas também não terminamos nos odiando. O ódio da parte dele veio depois, veio com o arrependimento que ele disse ter.
É por esse motivo que, quando a dimensão afetiva vem a faltar, a gente não sabe como agir. Por outro lado a minha proximidade com a ex-cunhada não me aproxima do ex. Ele não frequenta nenhum ambiente que eu esteja, não existe a experiência do contato. Por mim não teria problema porque no fundo o quero bem. Desejo felicidades, desejo até que ele seja tão feliz quanto eu.
O amor se espalhou como mágica, a relação é de tia e sobrinha, e eu me mantinha entre o amor e a mesquinhez porque de alguma forma me afetava o fato de que a minha presença o ausentasse.
Eu não apareço muito na galeria familiar, não sou tão próxima como gostaria, eu não sei se ao certo consigo lidar totalmente, mas percebi que falar que eu não podia ser Madrinha causaria uma grande mágoa e quase um crime. Foi sob esse prisma que eu aceitei.
Aprendi que precisamos valorizar, todos os dias, quem amamos e principalmente quem nos ama e tem admiração e respeito por nós.

Arcise Câmara

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Louca para descontar em alguém

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Ideias de controle, poder ou domínio, nada tem a ver com amor. Não se preocupe em não retribuir o sorriso, a melhor escolha nem sempre é a escolha que merece ser boa para outra pessoa.
Às vezes temos que nos colocar em primeiro lugar, desintegrar o passado, deixar de mencioná-lo. Se tudo que você faz é seguir as regras de outra pessoa, então não cresceu.
Meu maior orgulho foi conquistar o afeto do marido, necessitava de alguém, e esse é o modo mais rápido de acabar com um relacionamento, nunca fui essas Coca-Cola toda na cozinha e precisava de aprovação e isso ajudava o relacionamento a afundar mais rápido.
A maior dádiva que você pode conceder a alguém é a força e o poder para amar-te ou não. A separação gera indiferença, a falsa superioridade, a compaixão, é claro que tudo é relativo. Sabedoria é conhecimento aplicado. Qualquer um pode olhar para o passado e dizer: eu teria agido de modo diferente.
Fico meio sem jeito em viver sem harmonia, ser intolerante, magoar as pessoas e vê-las como desiguais, ser o sonho de consumo de alguém, preciso respeitar as outras pessoas e o caminho que elas estão seguindo.
A humanidade não evoluiu em seus instintos mais básicos, somos egoístas, percebemos que sorrimos como bobas quando nossos desejos são atendidos, compreendemos os conceitos básicos de uma sociedade civilizada, quando a aparência não tem a menor importância.
Os governos deveriam ser a consciência do povo. É através deles que o povo tenta mudança, mas ele vai me arrumar um emprego, emprego pro meu filho, ou me trazer algum benefício eu não estou nem aí para o coletivo. Fico arrasada com esse tipo de pensamento.
Algo terá que ser novo se vocês quiserem que o mundo mude. Encara tudo como se fosse uma questão pessoal, por favor, não pise nos meus calos, é melhor irmos logo com isso.
O mundo anda tão estranho, cada um pensando em si, cada um se preocupando mais consigo, em conservar os seus cargos do que nada ajuda a população, tudo que eu penso faz reflexo do que decido para mim mesma.
Arcise Câmara


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A amizade e admiração era unilateral

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Com que frequência vocês ligam para a amiga que só fala contigo se você for atrás?  O maior erro da gente é não dá importância a não reciprocidade, às vezes a gente nem percebe, outras a gente finge não perceber.
De algum jeito a gente vai acabar percebendo, quando estivermos na escuridão e a amiga nem souber, quanto a gente mente sobre si mesma achando que é a vida querendo nos afastar e que no fundo a amizade sempre esteve lá, nós é que somos carentes.
Uma boa amizade, longe do facebook não deixa de ser um alimento para a alma. Vocês já repararam quantas pessoas “perdem tempo” fazendo homenagens fúnebres? Quantos elogios em redes sociais? Quantas vezes só tivemos tempo de visitar aquela amiga quando ela já estava na uti?
Quando alguém morre, a gente deixa todas aquelas coisas negativas lá atrás e foca só no positivo e se acha melhor amiga mesmo que tenha sido a melhor amiga apenas na infância.
Queria hoje poder escancarar os sentimentos mais sublimes e expor a hipocrisia, queria hoje procurar a felicidade com muita força nos prazeres da vida, na amizade que não perde o sentido, na força do poder contar.
Nós precisamos aprender a sermos seres humanos, precisamos de uma relação de amor, de  nunca usar as mãos nem a língua para cobrar ou machucar. Estou falando de um troço chamado espontaneidade, estou falando mais fundo, amor espontâneo, aquele que eu não uso nenhuma força porque ele é quase palpável.
Não estava preparada para fazer isso, achava que o espírito patético  havia me absorvido, eu precisava me livrar daquilo que não me acrescentava, precisava estar rodeada de gente que levasse a amizade à sério.
Mas essa é uma realidade muito frágil, facilmente desgastada pelo tempo, que se eu não flexibilizasse, seria injusta. Na verdade, o êxito de um relacionamento não depende somente de um bom amigo, depende de um contexto mágico que faz ou não feliz o seu coração.
Duas pessoas não podem estar ligadas pelo acaso e sim ligadas pela proximidade de quererem estar perto, serem simpáticas, sorridentes, amigas, pau para toda obra, precisamos preencher o peito com a força da reciprocidade.
Arcise Câmara


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja...

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Ô sentimento chato esse da inveja, parece que você não merece ser feliz, ser do bem, ser você mesma, parece que o mundo melhor só foi feito pros outros e que felicidade não pode bater na sua porta.
Afinal das contas, por que não mereço ser plenamente feliz aos olhos dos outros? Queria conversar um pouco mais sobre isso, o poder do não poder. Não é nada poético ou literário achar que você tem o poder de mandar e julgar a felicidade alheia.
Não dá para compartilhar sonhos, não dá para receber elogios, não dá para sermos bem-tratadas, somos da geração que não merecemos ser felizes, isso é tão visível, os e-mails pipocam quando os que se julgam superiores descobrem.   
Toda semana, eu recebo indiretas de que a vida foi boa demais para mim, que meu processo profissional foi rápido e bem sucedido,  que eu deveria dar mais exemplo, ser mais agradecida, afinal eu me mantenho em pé nos tempos de crises.
Falam que para mim  não existe rotina e que minha vida é cheia de excessos, falam que eu não valorizo o  pouco que tenho, que eu sou altamente influenciável, que tive o casamento destruído e que eu vivo no mundo de coisas fáceis.
Passei a me entediar com quem fala demais da vida alheia, a saía cômoda e feliz é fugir da fofoca e evitar a cultura do instantâneo, das amizades velozes, da intimidade em poucos passos. As palavras sempre me afetaram, o subjugar de alguém que me acha irresistível me amedronta.
Não é fácil quebrar a artificialidade, as verdades contraditórias que você não acredita, as pessoas estão acostumadas a falar mal, rotular, criticar e pensar que as demais estão num nível bem inferior a elas,  e por conta disso escondemos as nossas feridas e posamos de feliz “all the time”.
Por outro lado, vivemos lutando para salvar as aparências. Quantas vezes engolimos choro, camuflamos o coração ferido, enganamos o ego machucado, acreditamos nos falsos elogios. Acho que no fundo, no fundo ninguém sabe lidar com a inveja. Não sabemos se aparentamos o que somos e deixamos a inveja crescer ou se nos depreciamos e vemos no que dá.
Arcise Câmara