quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Essência do viver


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Tinha sempre escolhas sensatas e educadas, estava ainda solteira aos 43 anos, nunca tinha me casado, parecia que a felicidade em par não tinha sido feita para mim.
Queria um casamento feliz, mas não com marido sem graça. Tive namorado por várias vezes, fiquei noiva três vezes, mas o relacionamento acabava se deteriorando, eu sempre queria receber mais dele e nunca me senti amada o suficiente para o “Sim Definitivo”.
Quando está muito quente e quando ouço aquelas músicas, sempre trago lembranças do passado do “e se tivesse casado com um dos noivos”, mas breco o pensamento e falo sobre liberdade.
Precisava viver um dia de cada vez, entender que não era para ser senão teria sido, que mesmo que eu amasse massagens e roupas bonitas não poderia tê-las sempre que quisesse.
Meu estoque de lágrimas se esgotou e eu pela primeira vez na vida me sentia solitária, o velho ditado “a união faz a força” não causava efeito, então resolvi partir para a realidade e sair da ilusão.
Todo mundo pisa em ovos a minha volta, como se eu fosse desabar a qualquer instante, como se a solidão em deixasse depressiva, como se eu ainda me conectasse com todas as pessoas que amei, como se o elo não tivesse desfeito.
Tive muitas trocas de experiências, aprendi e ensinei com os meus relacionamentos, chorei e fiz sofrer, alegrei-me e fiz sorrir. Na minha família temos o hábito de por para fora nossas mágoas e isso faz com que eu ame cada relacionamento que tive de maneira bem diferente. Não voltaria com nenhum dele, mas desejo sucessos amorosos.
Os homens se sentem atraídos por mulheres bonitas, jovens e com corpo em forma o que não é o meu caso, além do mais considero isso irrelevante, a vida às vezes se torna fácil e sem complicação, é o que eu acho.
Obviamente que eu amei, ops Amei, mas tinham dificuldade em assumir compromissos, o que busco mesmo não é a companhia, o casamento, o contato físico, o que busco é a essência de viver, algo que revolucione a minha existência.
Arcise Câmara


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A ideia de um grupo de apoio me dava arrepios


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Descartar o orgulho foi o primeiro assunto do dia, o assunto em pauta teve várias reflexões e muito choro, era a primeira vez que alguém me dizia que as minhas atitudes era de alguém orgulhosa e que não dá o braço a torcer.
Não tenho ex-marido, nem filhos para lhe fazer concorrência, sou solitária e talvez por isso tenha entrado no mundo da carência chamado drogas, e com as drogas me veio a adrenalina do risco e a vontade de ganhar dinheiro. Hoje em dia se fala cada vez mais do mundo exterior e bem menos de si mesmos, foi nessa linha que comecei a traficar.
Carente sim, frágil certamente, burra nem tanto. Troquei de carro velho para um carro caro de sete lugares, não vou divulgar a marca, pois não ganhei um centavo de desconto. A concessionária nem quis saber por que estava pagando a vista e de onde vinha à origem do dinheiro, mas aumentou em cinco mil o valor do carro inventando desculpas.
Cometi um erro gravíssimo, cheirar e traficar, você é enganada de todas as formas e isso fez com que eu levasse três tiros para eu me espertar da brincadeira. O vício das drogas é uma doença iniciada por emoções distorcidas.
Tenho medo até de escrever sobre isso, parece um mundo imaginário, ninguém se assume, ninguém quer saber, as pessoas começam a te olhar torto como se de fato você fosse um fracassado.
Eu não uso nada há anos, faz tempo que parei, mas ainda sou uma recuperanda porque a sensação e o barato que eu sentia era muito bom, porém o preço era alto demais, preço de vidas destruídas em overdoses, preços de furtos para ter a encomenda necessária, preço dos tiros e prisões e o preço mais alto de todos que é a dependência de não ser dono da própria existência.
Dizia eu aos meus botões “quero ser livre”, quero meus pais vivos, minha família em segurança, minha vida de volta, quero estar cercada de amigos. Me abstive de algumas coisas em função de outras, mas nada daquilo era justo, certo, bom e verdadeiro.
O grupo de apoio era potente como a força de um raio, um despertar, um segurar a mão, o grupo social movido pelos mesmos interesses, pela ansiedade de não saber explicar como se chegou ao fundo do poço, quem nos meteu ali, um grito de socorro. Foi assim que ressuscitei!
Arcise Câmara


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

A base de sustentação


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O homem que existia na minha vida não era o homem que eu conheci, as coisas pelas quais acreditei não existiam mais, conformei-me com o mundo desconhecido dos sentimentos.
Refinei meus pensamentos em tudo que era positivo, coloquei emoção no dia a dia, me posicionei diante dos acontecimentos, não me calei, nem me acovardei, também não fui radical, apenas quis expressar meu descontentamento.
Tem coisas que até enjoa a gente, as mesmas chateações, as mesmas reclamações, as mesmas injustiças, a cinta modeladora que você não deveria ter comprado, mas que te ajuda a colocar a postura em ordem.
Conhecia de cor e salteado todo o palavreado, da hora que chegava do trabalho até a hora de ir dormir, nada foi fácil para mim, tudo na minha vida exigiu-me esforço, meus desejos não eram satisfeitos rapidamente ou espontaneamente, foi luta, trabalho, conquista, intenção.
Eu tinha amigas tanto casadas quanto solteiras que não param de falar em homens, o mundo começou a girar em torno disso e só eu que não tinha percebido, não me interessava saber o que eu já tinha observado.
A minha extrema necessidade era manter meu estado de saúde equilibrado, sendo ele a minha alma gêmea ou não eu precisava desligar o modo multitarefa cheio de contradições e sem referência ao senso comum.
Eu tinha pouco tempo  para processar tudo, o papel das mulheres era tolerar esse comportamento passivo-agressivo, estimular interesse, energia e prazer, mudar a rotina        e blá blá blá.
Há algo mais importante que a própria dor? A dor dos outros? Seus problemas? Nunca desista de ninguém! Nunca desista de si mesma! Tá esquisito? Esquece ele por um tempo. Nem pense em separação, que traz despesas e amolações.
Acho que em parte parece mais fácil jogar tudo para o alto e seguir, balançar a cabeça para um lado e para o outro formando um não, e com a expressão do meu total desinteresse, mas a sustentação do amor deve estar ligada a Vontade e a Vontade manda e comanda tudo, mas só dá certo se a Vontade de Construir tiver o alicerce recíproco.
Arcise Câmara


quinta-feira, 26 de julho de 2018

Uma vez na vida


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Despersonalizar ideias de preconceitos deveriam ser primordiais pelo menos uma vez na vida, ninguém conhece cada história, cada sentimento, cada emoção, cada trauma.
Sentia-me lerda de vez em quando, sentia-me letárgica por tantos julgamentos que tive que escutar ao longo da vida, branca, filha de pai preto, fora todas os tipos de piadinhas que envolviam a suposta traição de uma mãe branquela pela qual eu puxei a cor.
As nossas crenças não justificam nenhuma superioridade, os nossos julgamentos não nos fazem melhores que ninguém, as nossas dúvidas são apenas dúvidas, são maneiras tortas de nos levar a reflexão.
Por trás de muitos comentários, ele se interessa pelo meu bem-estar, diz que gosta de mim, que quer me ver feliz, diz que nada importa, o que os outros falam, mas não o vejo se colocando no meu lugar.
Tive uma filha e nunca mais tive coragem de conceber outro filho. Eu queria no mínimo uns quatro, ia amar ter família grande, gente correndo pela casa, brigas e união, gritarias e silêncio (ok, só na hora de dormir), mas esse mundo cruel que acompanhamos pela internet sufocou meus planos.
Alguns dias são melhores que outros, isso eu não tenho dúvidas, alguns momentos são infinitamente mais felizes que outros, o meu emocional eu traduzo como sendo a poesia com liberdade.
Não admito violência física nem emocional, não consigo acreditar que alguém ousa falar de amor machucando alguém com palavras ou tapas, ser linda e ganhar um murro, ser inteligente e ganhar chutes... é uma matemática que não fecha.
Podem me definir como bem entenderem, podem dizer que uso disfarce, que por trás dessa vida segura existe fragilidade e choro, sou de quebrar o silencio ou ele me sufocaria.
Eu demonstro intimidade emocional, ele porém, começava a apresentar sinais de doenças, um monstro que bate em mulher não é normal, tudo iniciava com a  língua maldosa e depois as consequências aparecia.
Perceber a forma abusiva em que eu era tratada levou muitos anos, eu acreditava nos arrependimentos, eu acreditava em choros, em promessas, em espíritos ruins que queriam destruir meu relacionamento.
Só consegui me libertar quando pelo menos uma vez na vida percebi que eu merecia amor e não pedras no caminho.
Arcise Câmara


quinta-feira, 19 de julho de 2018

Estamos resolvendo nossos problemas externos, mas não os internos





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A gente sempre tem inspiração para um monte de coisa, o que vamos fazer com a casa, que cor pintar as paredes, qual esmalte comprar, qual roupa usar no fim de ano, a gente esquece de olhar para dentro.
O futuro precisa desse dentro reconhecido. Alguns caminhos levam a depressão e entre os vários motivos da pasta de entrada dessa doença é não se conhecer. Às vezes a gente não encontra palavras para dizer o que pensa, outras, não tem determinação para atividade física, outras vezes explode por qualquer coisa.
Perguntas que aprendi a não fazer até porque ninguém as compreende, dentre ela você cuida do seu interior? Está tudo sempre bom para ti? O relacionamento conosco tem que evoluir.
Nossos afetos e nossos valores éticos precisam ser aprofundados, a gente tem sempre uma ótima justificativa, eu acho que o estudo da vida deve partir das experiências concretas.
Tenho muitas qualidades que não consigo encontrar facilmente em todo mundo, estou sempre pronta a falar a verdade, a discutir a relação, a não achar tediosa a companhia de mim mesma.
Sou jovem para os padrões quarentões da antiguidade, quando nasci morta e tiveram que me ressuscitar não sabia que o pior dia da minha vida já tinha passado e quando a minha mãe me contou com aquele sentimento intenso e com os olhos marejados eu ressignifiquei a minha vida.
Sua gigante aflição e nossa história de vida fez de mãe e filha uma coisa só, papai participou ativamente, rezando na sala de espera, mas sem saber que a filha lutava por sobrevivência enquanto mamãe morria por dentro.
Não se trata apenas de uma questão emocional, eu tinha motivos para ser ansiosa, fui desde cedo mais instinto para resolver meus conflitos de vida ou morte a desenvolver a arte de pensar.
Numa relação ninguém é mais importante que o outro, aceito meu pai como ele é, minha mãe como é, meus irmãos como são, um dia vou olhar para trás e me arrepender de tudo o que fiz ou deixei de fazer que não me agregou, que não me evoluiu, que não me impulsionou.
Arcise Câmara


quinta-feira, 12 de julho de 2018

Atraída por homens indisponíveis ou casados



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Estava desprovida de humor além de estar dominada, não podia ter amigos, não podia falar do meu relacionamento, não podia estar disponível para homens solteiros.
Não queria enfrentar sua frieza outra vez, eu era apaixonada, eu acreditava em cada palavra que ele dizia, eu acreditava piamente que mesmo morando na mesma casa não eram casados, não tinha toque, nem tesão, muito menos sexo.
Não ajo assim de propósito, eu era cega de amor, eu tinha problemas nos joelhos e ele me acompanhava ao ortopedista, pagava as consultas, comprava os remédios, isso era amor na minha forma de pensar.
Eu culpava a “ex-mulher” pelo que dava errado na nossa relação, culpava a filha problemática, as dívidas, o “não posso me expor com meu chefe conservador que não entendia que divórcios acontecem”.
Desejava estar com ele em algumas ocasiões que não o tinha, tocá-lo, beijá-lo, acaricia-lo, dizer doçuras no ouvido e pensava por míseros minutos do porquê ele estar longe.
Todos têm defeitos e virtudes, mas eu achava ele o máximo, não sei o que tinha feito para merecer alguém tão bondoso, atencioso, cuidador, zeloso, altruísta, simpático de sorriso cativante.
Nunca entenderei os homens, eles parecem frios, mas se compadecem das “ex-esposas”, eles se parecem preguiçosos, mas pagam empregadas para tua unhas ficarem bonitas por mais tempo.
Todo mundo cria possibilidades na vida, eu agarrei a minha com unhas e dentes, o amor da minha vida tinha surgido e eu jamais deixaria escapar, nós nos amávamos, nos respeitávamos e queríamos um ao outro com toda a força do universo.
Um ano novo para tentar mais uma vez transformar meu coração velho em novo e quem sabe, mudar o mundo, precisava mudar meu mundo, eu cansei de esperar  por disponibilidade, ou ele fazia ela sofrer ou eu permaneceria sofrendo.
Desejava amor, apreço e atenção e dava esses mesmo sentimentos de forma totalitária. A ficha custou a cair, eu precisava de amor, de segurança, de presença e principalmente de RESPEITO.
Arcise Câmara


quinta-feira, 5 de julho de 2018

A beleza não tem nexo



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Talvez seja uma construção diária, um aprendizado, um olhar externo, talvez seja uma recusa de padrões, ou ainda ser metódica no cuidar ou no olhar, a beleza não é a moça ou o moço bonito da noite de sábado.
Podemos deixar passar a pessoa maravilhosa que está ao nosso lado sem ver a beleza que existe nela, podemos só perceber anos mais tarde, ou significativamente quando estivermos mais velhos.
O marido tem estado distante, reclama do peso, das rugas, das manchas, ele também está gordo e acabado, mas eu ainda o vejo belo, não é cegueira, é apenas a visão do todo, a beleza da essência.
Não viemos a este planeta a passeio, não acredito na teoria do acaso, a natureza é tão bela, as belezas naturais são tão intrigantes, a arte é tão notória, a gente em constante evolução.
Eu não acredito em quem me rebaixa, eu não acredito em quem tem sempre algo negativo a dizer, em quem só sabe falar de si, nem quem não foi educado para enfrentar um não firme e decidido.
Valorizo as potencialidades, valorizo o sentimento especial e a autoestima de quem dá grandes saltos, valorizo a capacidade de chegar na adversidade sem nível de ansiedade.
Nunca durmo bastante, não tenho nenhum hobby, me deixo contaminar pelo que os outros pensam de mim, minha mente não tem livre arbítrio, meu coração partido não é exclusividade minha.
As pessoas amam o individualismo e se preocupam pouco com o bem-estar dos outros, falar que não sou bela, que não tenho nada a acrescentar, falar que sou supostamente inferior.
A ilusão é poderosa para afundar alguém, a  minha resignação com autenticidade deveria ser previsível. Diante de percalços, escolhi não ser mãe por achar que não aguentaria um terceiro aborto, eu me sentia feia e inapropriada, eu não me sentia digna. Hoje, depois de me reconhecer como sou e me amar com cada ruga, cada grama, cada excessos ou faltas eu acerto em dizer que o belo que vês é o belo que está dentro de ti, e a feiura que insiste que tens em mim reflete dentro de você.
Arcise Câmara


quinta-feira, 28 de junho de 2018

Faça brilhar seu estilo de vida


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Você não precisa se obrigar a gostar das coisas do outro, basta aceitá-las, você não precisa ofuscar ninguém para que sua alma brilhe, você não precisa ser indiferente ou se achar superior.
 Não conjugue o verbo consumir com toda intensidade, não compre coisas com muitas embalagens, troque supermercados por feiras, as nossas atitudes anteriores também contribuem para uma vida com mais luz e amor.
Meu verdadeiro propósito é ser lida, fazer alguém feliz com meus textos, fazer alguém refletir, fazer as pessoas refletirem sobre a sua luz, seu potencial, suas qualidades, seus propósitos.
Se não visto uma coisa há anos, nunca vestirei novamente e é importante doar para quem não tem, eu fico chateada com a mentalidade de doar apenas o que está estragado, o manchado, o rasgado, o descosturado, o sapato muito velho. A gente deve dar sempre o nosso melhor, a nossa melhor versão quer em roupas, quer em palavras. É desse brilho que estou falando.
Escolhi viver com menos, escolhi viver passeando, curtindo a natureza, viajando, escolhi viver na essência, escolhi uma forma prática de viver sem muitas escolhas a fazer, sem muitas peças para escolher, sem muitas dúvidas do que usar.
Todo discurso de que alguém havia sido cuidadoso, delicado e amoroso era da boca para fora, mas eu não gostava de falar mal de ninguém, eu não curtia ter sido íntima de alguém e agora destila ódio, acho feio!
Sou da promoção do diálogo e não dificultá-lo, sou do olho no olho, sou da verdade, da justiça, da bondade, não sou perfeita, não é isso apenas quero viver intensamente sem raivinhas no coração.
Não sou de botar o choro para dentro, de amargurar o coração de me sentir infeliz por qualquer coisa, não sou de me lamentar e nem achar que eu não sou merecedora de nada, sou muito pé no chão.
O importante é a sensação de bem-estar, o brilho nos olhos, o olhar com bondade e evitar o julgamento a todo custo. Aprendi que 90% das nossas brigas são frutos do nosso egoísmo. Seja Brilho, seja Luz!
Arcise Câmara

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Missa Comunitária



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Tem gente que se ofende em se cantar parabéns em missa comunitária, alguns acham falta de respeito, outros acham um absurdo sem fim. A minha opinião é que infelizmente não estamos preparados para a morte, tudo nos ofende, tudo nos é roubado, tudo é malicioso.
Na vida é assim, uns nascem, outros morrem, uns choram, outros sorriem, uns enlutados e outros agradecidos. Esse vai vem, altos e baixos faz parte do nosso dia a dia. A palavra de ordem é tolerância.
Tolerar que o padre pode se sentir feliz com o novo ciclo de vida de quem está aniversariando, assim como pode se sentir triste pela pessoa que partiu. Uma coisa não anula a outra. Missa comunitária, além de referenciar a Deus sobre todas as coisas, também deve estar em sintonia com os anseios da comunidade.
Sou fã de dar Graças a Deus pelo dom da vida, me sinto contemplada na minha paróquia quando recebo bênçãos, parabéns, desejos de felicidades, abraços, qualquer manifestação de carinho e gratidão pela minha existência.
Também choro e me sensibilizo pelos que partiram, na verdade penso na morte todo santo dia, penso e rezo para ter uma boa morte, rezo pelos meus, rezo sempre que passo perto de algum acidente ou sei que alguém se matou.
A cada dia que passo me conscientizo que nossa vida não é essa, nossa vida é eterna e distante dessa dimensão terrena, todas essas pequenas chateações não chegam onde nosso ente querido está.
A vida nos dar várias oportunidades de amar e ser amado, de compreender e ser compreendido, de cair e levantar, a vida nos dá sinais claros que é muito bom viver aqui em harmonia com os outros.
A vida é um presente terreno e a morte é um presente divino, é difícil de entender mesmo, a gente se apega a matéria, ao corpo, a presença, as sensações egoístas que nos fizeram feliz, a gente fica querendo eternizar felicidade.
Não estou minimizando dores, perder quem se ama é um baque totalmente dolorido e se a gente não tiver equilíbrio emocional a gente se desestabiliza de vez, a gente perde a caridade, a gente se sufoca com coisas ruins.
O legal de tudo isso é o aprendizado de sempre, não é fácil, nunca foi e nunca será. A gente não desliga de quem a gente ama nunca, tudo é motivo para ficar triste, tudo tem a sensação de vazio, de perda eterna, de vácuo, tudo parece sem sentido. O importante é recomeçar.
Arcise Câmara