Parece ilógico, tantos anos se passaram e eu me sinto a mesma, com as mesmas convenções, com as mesmas crendices, com o mesmo entusiasmo para certas coisas e desentusiasmada para tantas outras, parece que foi ontem que minha criação, meu modo de ser, minha personalidade moldaram-me desse jeito e às vezes me sinto culpada em pensar diferente, às vezes me sinto fora de órbita de certos desejos, anseios, culturas, quando me sinto fora do padrão ditado sabe-se Deus por quem.
A gente carrega culpa, carrega sonhos, carrega desejos, carrega a fama de ser aquilo que o outro espera, carrega a falta de atitude e se anestesia pelo que "o outro vai pensar".
Eu não continuo a mesma de sempre, não me sinto amargurada, nem nada, mas não me casaria na igreja de véu e grinalda novamente, não faria juras de amor eterno, o meu eterno é o bom uso do tempo, a eternidade daquele instante, não me sinto mais tão fiel à Deus através de orações e sim a lealdade das minhas atitudes para com o próximo.
Parece insano, achar que não mudei, talvez para certas coisas me falta assumir posicionamentos, não ter vergonha de pensar coisas que agridam o mundo e não agridem a mim.
Ter a liberdade de fazer minhas própria escolhas e aceitar todas as consequências.
Não! Não! Não sou a mesma, nem quero ser, quero ser capaz de tudo, quero ralar os joelhos, quero usufruir minha vida como acho que deve ser, parece uma falsa liberdade, uma liberdade que você não é capaz de controlar, mas essa liberdade de vento no rosto que me encanta no momento. E assim vai ser.
- Arcise Câmara

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