domingo, 31 de março de 2013

Vivia sentindo falta do rapaz


Ele deixou marcas dolorosas no meu coração, mas eu sentia falta de tudo que foi bom, eu sentia falta daquela relação desigual, me prendia aos poucos momentos de felicidade, aquela felicidade que dinheiro compra, as viagens a Paris, os hotéis cinco estrelas, os passeios de iate e as compras sem se preocupar com as faturas. O mundo sem preocupações financeiras, o mundo de diversão sem que para isso fosse preciso usar a calculadora e contar cada centavos.
 
Para mim, ele era a pessoa certa para ficar pelo resto da vida, sua partida causou mal-estar e desespero, apesar de eu me fingir de forte, estava abraçada aquela verdade absoluta de que tinha que ser com ele, de que tinha que ser assim, de que tudo era daquele jeito.Acreditar nas coisas como elas são sem ao menos questionar o porquê de tudo aquilo, por que ser feliz com o que não me causava felicidade, por que ser feliz com quem não respeitava meus pontos de vista, por que ser feliz com alguém tão diferente.
 
Eu era a mais independente, a mais dedicada a ele e a pouco dedicada a mim mesma, quanto mais o amava menos me amava, quanto mais o desejava, menos desejo surgia, quanto mais lutava, menos esforço ele fazia para que a nossa relação desse certo.
 
Tudo parecia antinatural, tudo parecia desigual, tudo parecia pesado, triste, infeliz, mesmo com as alegrias vividas, mesmo com os projetos anotados, mesmo com nomes de filhos escolhidos.
 
Era o encontro imperfeito do homem que promete tudo e não cumpre nada, do homem que as palavras nada refletem seu comportamento, do homem que é admirado aos 4 cantos, mas nem por ele mesmo.
 
Uma questão de energia que durou o tempo suficiente da bateria descarregar, que durou tudo que tinha para durar, que foi intenso e único mas que acabou, não com pena e lamentação mas como o ciclo que fechou para abertura de novos ciclos.
 
E depois dessa descoberta, percebi que a falta não era dele em si, mas sentia falta de alguém para amar, de alguém que mentirosamente e possessivamente chamaria de meu, mesmo que por alguns instantes ou na pequena brevidade do eterno.

- Arcise Câmara

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