Procurei uma especialista, a psicóloga Paula me ajudou muito,
nunca me vi assim tão feliz, compreendi que o perdão era para me tirar pesos, sempre
que quiser pensar nele grite pare e foi assim que me livrei de embustes
sentimentais.
Ela me fez refletir como eu era boa, reclamona, mas boa. Abomino a
mesmice e a previsibilidade, odeio rotinas, mas consegui entender os caminhos
da aceitação, me sentia mais bonita e meus olhos brilhavam.
A beleza é um mistério, estava acima do peso, sem vaidade, mas o
fato de estar me curando por dentro me fazia bela e interessante aos olhos de
todos, não importa o que eu fizesse, as pessoas estavam encantadas comigo.
Pela primeira vez na vida, aos 51 anos, eu estava exercendo o
poder em mim mesma, nada me parecia familiar, porque custei a ir procurar uma
especialista? Porque fui pobre de espírito a minha vida toda? Porque não curei
minhas misérias?
Era visível demais a mudança, odiava a solidão e agora me sentia
bem feliz sozinha, eu tinha a minha verdadeira companhia. Percebi que algumas
pessoas faziam falta na minha vida, a amiga de infância que o tempo nos
afastou, a minha madrinha que perdi o contato...
O meu lado religioso/julgador foi extirpado, a minha empatia e
forma de pensar melhoraram com as reflexões e os “tapas na cara” que
levei, eu me encorajei a ser uma pessoa
melhor.
Agora estava vivendo com segurança, deixei os perigos de uma vida
mais ou menos, adoro uma filosofia viva, A-TI-TU-DE. Uma pessoa apaixonada pela
vida não se comporta de certas maneiras.
Existem coisas quer não se
contam nem a si mesmo, mas eu descascava sentimentos, imaginava significados,
fazia partos mentais para me sentir entendida, amada, querida. Precisava
aprofundar sentimentos.
De vez em muito, o vinho soltava a minha língua e eu acabava conversando
muito, minha mãe faleceu quando eu tinha seis anos e eu não conseguia me
desfazer dos seus pertences.
Quando comecei a ser grata por tudo que me acontecia, até pelas
coisas ruins, minha vida mudou para melhor.
Arcise Câmara
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