Em vez de superar as perdas, tornei-me refém do passado,
para mim a confiança é determinante na amizade e no amor, escolher amores no
aplicativo não me firma em nenhum propósito, não consigo passar uma semana
nisso.
Desenvolvo primeiro uma bela amizade, a gente sai para
conversar com a certeza que a noite ainda é uma criança, disfarça o ódio por
alguns assuntos, faz pose com a expectativa do que a gente se tornou.
Percebi que éramos diferentes, muito diferentes, ele mais
terra, mais vítima da vida, menos saciado com a igualdade de todos. Já eu,
forcei logo uma intimidade, coloquei a palhacinha da turma em funcionamento,
ela está no meu subconsciente.
Quem é salvo, quer salvar era a filosofia dele, tinha
virtudes do caráter, ética e equilíbrio. Ele não cumpriu minha expecta,
reclamei, resmunguei e me senti incomodada. Pensei comigo: Eu mesma posso ser a
fonte da minha felicidade.
Tudo isso faz com que eu me sinta adulta, refletir sobre
alguém tão fora da minha órbita e por outro lado alguém interessante. Eu e ele não
conseguíamos nos separar.
Quando a intimidade chega, a gente começa a usar apelidos
ridículos, começa a respeitar os sagrados momentos, já avisa que não adora
dançar, desfazendo aquela mentira para conquistar.
Era fascinante para mim, perceber que não estávamos
jogando, que necessitávamos de cura do relacionamento anterior, que perdemos um
amor que acreditávamos e que a entrega e as rememorações do seu tempo era
singela e como parte da vida.
Ele tentou, mas parecia empolgado. Estava um apaixonado
crônico, estragava minhas expectativas porque ia com muita sede ao pote. A
imaturidade dele era tão grande que procurou consolo em cartomantes que
disseram do nosso final feliz.
Ele jogava o cabelo para trás a cada três minutos, ele
fazia atitudes repetitivas e eu o achava emocional demais. Eu era a fria da
história. Não tenho aparência adorável, não sou leve, sou um tiquinho
materialista e me enfiei num buraco que não acredito.
Arcise Câmara
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