Não podia aguentar viver sem amor, viver sem a intensidade de ter em quem pensar, de ter com quem sonhar, com quem fazer planos, mesmo que só um lado estivesse sentindo o entusiasmo, a vida te deixa mais leve se estais amando, te deixa mais solta e mais feliz também, o segredo da eterna juventude, o elixir dos elixis.
Os encontros mais importantes já estavam escritos no livro do destino, isso eu bem sei e acredito, aliás nada é por acaso, tudo tem um porque, uma sintonia, algo que conspirou a favor, aquilo de que eu precisava naquele momento para viver.
Morri e renasci emocionalmente por várias vezes, amei duas únicas vezes, a primeira maior que a segunda como se eu pudesse medir amor, os meço pelo sofrimento que a partida me causou e assim tabulo o mais e o menos amado. Já me encantei por inúmeros pretendentes, já tomei fora e já dei foras, já declarei o meu amor e já camuflei o mesmo amor, já tive a certeza de amar sem ser amada e já pensei que amei.
Queimei as emoções passadas, rasguei recordações, me desfiz do que o lembrava, estava decidida a esquecer, não sei se consegui ao todo, talvez só saberei ao certo quando outro amor aparecer, quando eu realmente não pensar ou falar dele por nenhum minuto, quando as lembranças forem tão remotas quanto o dia que nasci e o primeiro choro, depois da palmada de que nunca me lembrei. Revivi as dores e alegrias de cada encontro e reencontro, cai e levantei diversas vezes, enxerguei e aceitei o fim como em todas as relações e me preparei para novo encontro não tão preparada assim.
A vida me deu muito mais coisas do que consegui aceitar ou compreender, mesmo que eu me esforçasse, tem coisas incompreensíveis para a minha cabeça pertubada de contos de fadas, de felizes para sempre, de que o amor vence tudo.
As lutas do meu eu com meu eu são constantes e eu me sinto complicada, cuja necessidade é descomplicar mas sem saber por onde começar.
- Arcise Câmara

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