segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Roubo do tempo



Eu me pego roubando tempo, deixa eu explicar, me vejo deixando de fazer coisas úteis para fazer coisas inúteis, eu me surpreendo trocando um livro pelo facebook, trocando passeios reais por navegações virtuais eu me vejo me divertindo horrores e pensando no virtual.
E eu olho para o teatro lotado e me surpreendo com pessoas que vêem o espetáculo através das câmeras fotográficas, de tablets ou de celulares, essas pessoas pagam absurdo o ingresso e se contentam em gravar, filmar, fotografar, divulgar o espetáculo e pouco curti-lo.
Às vezes me surpreendo querendo chegar tarde a compromissos e eventos em detrimento a uma boa programação na televisão, ou a um papo virtual ou simplesmente fazendo agora o que eu poderia muito bem fazer depois.
As novidades são muitas, é preciso começar tudo de novo, é preciso fotografar o antigo e o contemporâneo, me vejo cheia de dependências preferidas, de saudade da infância, dos bons e velhos amigos, daquele cheiro forte ou doce, e dos sabores apetitosos, na verdade poderia me reprogramar para reviver momentos incríveis bem longe das telas virtuais.
As distrações constantes me atrapalham um bocado, cai para trás quando me vi viciada num diagnóstico de revista quanto ao meu mundo virtual, pisei no freio, utilizo em intervalos intercalados no máximo 1 ou 2 horas e o processo de desintoxicação continua.
As minhas preferências continuam reais, gosto de cheiro, de abraço, de gosto, de sentir, pegar, apalpar, de beijar, amar e dar as mãos. Assim como os livros físicos jamais serão substituídos por livros virtuais, assim as amizades mesmo que nas telas virtuais sempre ultrapassarão todas as fronteiras.

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