Eu me pego
roubando tempo, deixa eu explicar, me vejo deixando de fazer coisas úteis para
fazer coisas inúteis, eu me surpreendo trocando um livro pelo facebook,
trocando passeios reais por navegações virtuais eu me vejo me divertindo horrores
e pensando no virtual.
E eu olho para o
teatro lotado e me surpreendo com pessoas que vêem o espetáculo através das
câmeras fotográficas, de tablets ou de celulares, essas pessoas pagam absurdo o
ingresso e se contentam em gravar, filmar, fotografar, divulgar o espetáculo e
pouco curti-lo.
Às vezes me
surpreendo querendo chegar tarde a compromissos e eventos em detrimento a uma
boa programação na televisão, ou a um papo virtual ou simplesmente fazendo
agora o que eu poderia muito bem fazer depois.
As novidades são
muitas, é preciso começar tudo de novo, é preciso fotografar o antigo e o
contemporâneo, me vejo cheia de dependências preferidas, de saudade da
infância, dos bons e velhos amigos, daquele cheiro forte ou doce, e dos sabores
apetitosos, na verdade poderia me reprogramar para reviver momentos incríveis
bem longe das telas virtuais.
As distrações
constantes me atrapalham um bocado, cai para trás quando me vi viciada num
diagnóstico de revista quanto ao meu mundo virtual, pisei no freio, utilizo em
intervalos intercalados no máximo 1 ou 2 horas e o processo de desintoxicação
continua.
As minhas
preferências continuam reais, gosto de cheiro, de abraço, de gosto, de sentir,
pegar, apalpar, de beijar, amar e dar as mãos. Assim como os livros físicos jamais
serão substituídos por livros virtuais, assim as amizades mesmo que nas telas
virtuais sempre ultrapassarão todas as fronteiras.

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