O gesto me trouxe a
calma que eu precisava, eu parei para ouvi-la, ela estava imensamente tomada
por problemas que pareciam solucionáveis, ela queria de verdade dormir e não
acordar nunca mais.
Não é fácil nos livrarmos
do que não queremos. Para ela tudo era um problema, até a desordem da casa, seu
trabalho era invisível diante do limpa e desarruma, só uma pessoa que mora
sozinha tem chance de ser bem-sucedida na organização e na manutenção da casa.
Uma atitude nada
nobre era querer que todos fossem embora, que cada um tivesse sua vida, ela
precisava aprender a renunciar, essa coisa de só fazer as coisas quando pode e
na hora que pode não a alegrava.
Eu a incentivava a
explorar a veia literária que pulsa nela, ela poderia escrever sobre arrumação,
já que isso a incomodava bastante, poderia escrever sobre menos é mais, sobre
por em ordem lugares específicos tipo: quartos, salas etc.
Vencer uma barreira
difícil e se impor como indivíduo era sempre uma vitória, todas as escolhas não
eram dela, foram ordens, convenções, o mesmo fenômeno ocorria em muitas coisas,
ela fazia o que os outros queriam, às vezes ferindo a si mesma.
Ela sempre quis
emagrecer, ter um corpo bonito, ter dinheiro dentro da carteira, sem regras familiares
e sem convenções. Às vezes a família era um desnecessário apêndice. Ela chorava
com sua própria história.
Muitas pessoas são
deliciosas surpresas, alegram a vida de quem os cercam. Na maioria das vezes o
problema é menor do que a preocupação que carregamos, sempre falo isso para
minha mente.
Ela precisava se
livrar de tudo, do peso que carregava, se você está em busca de um outro
relacionamento, se livre de tudo, livre-se até de bens de consumo que não usa
ou não precisa.
Depois que a gente destralha
os sentimentos e os objetos, a vida sorrir mais leve.
Arcise Câmara
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