Não curto rótulos, mas isso eu aprendi com pancadas e para exemplificar bem posso dizer que nem sempre uma senhora idosa simboliza dignidade, se fosse assim, não teríamos as vovós do crime que assaltam clientes em restaurantes. Não teríamos velhinhas chatas e rabugentas que merecem ser perdoadas pela idade, como se idade fosse sinônimo de me-deixa-fazer-oque-quiser, falar-o-que-quiser e desrespeitar-quem-eu-quiser, já-vivi-muito-e-posso-explodir-o-mundo.
Não me convenço de que a pessoa é boa por ter uma religião, já presenciei falsos testemunhos em que a pessoa disse que não teria porque mentir porque era Adventista (aqui eu poderia retratar católicos, judeus ou qualquer outra denominação). Religião não é sinônimo de caráter nem de integridade, que bom seria se fosse.
Não curto: isso é coisa de homem, aquilo é coisa de mulher e muitas separações de sexo, gênero, cor, raça, escolaridade, situação financeira, profissional, familiar.
Mas nem sempre fui assim, já julguei os outros pela capa, já pus a mão no fogo por "gente do bem", já generalizei raciocínios, já enxerguei a vida como receita de bolo.
As pessoas não são idênticas não são perfeitas e falham com ou sem ajuda, as pessoas estão sim dispostas a melhorarem, mas nem todas, se todo mundo é bonzinho e perfeito então que mundo é este?
Já ouvi demais dos meus pais: "comporte-se", "não crie confusão", "não diga isso", "não machuque ninguém com palavras", eu internalizava assim: "não pense demais", "não critique", "deixa para lá", "aceite tudo, mesmo que não goste", "ajuste-se aos outros".
Então eu me sinto de pés e mãos amarrados para obedecer tudo que a sociedade quer que eu engula e assim não revido (ou pelo menos tento) as provocações da vida, finjo de cega para certas atitudes e comportamentos e me calo perante algumas injustiças, mas o meu eu grita por dentro, quer defender os injustiçados, quer cobrar políticas públicas, que surtar sem machucar.
- Arcise Câmara

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