A sensação que eu tenho do choro é das mais prazerosas, acho que por isso sempre fui chorona e nunca escondi isso de ninguém.
Lembro que já recebi vários conselhos para me trancar e chorar, mas confesso que para mim, choro nunca foi vergonha ou fraqueza.
Choro para mim é terapia e das mais eficazes.
O choro limpa e me purifica, ele me faz abraçar sentimentos que me alegram ou me entristecem, me dão saudades e me orientam, o choro faz parte de mim como reconhecimentos das tristezas e alegrias, como impulso das injustiças ou como recomeços.
Sou tão boa de choro que basta olhar alguém lacrimejando para chorar junto não importa qual seja o motivo.
O choro me liberta e eu não tenho o menor constrangimento em usar a minha ferramenta libertadora.
Ultimamente estava chorando até por comercial de sabão em pó, ou pelo livro que estou lendo aos pedaços porque ele é tão bom que eu vou e volto, leio e releio, grifo e decoro partes que não quero desaprender.
E o choro de hoje veio pela saudade do meu avô, pela partida de pessoas amadas que ainda nem partiram, mas que já me faz falta tremenda, tamanho amor.
O meu choro é ingênuo, às vezes perigoso, ousado, chatagioso ou bom.
A vida nunca é mais a mesma depois de um choro no chuveiro, as lágrimas escorrendo e se misturando com a água que vai para o ralo.
Como adulta não preciso de licença para chorar e nem preciso engolir choros.
- Arcise Câmara
- Arcise Câmara

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